Greve dos guardas prisionais com adesão de 95%

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) disse hoje à Lusa que a adesão dos profissionais ao primeiro período de greve, realizado entre 24 e 30 de abril, "rondou os 95 por cento".

A paralisação, convocada pelo sindicato devido à interrupção das negociações do estatuto profissional dos guardas prisionais, e que afetou as visitas aos reclusos e o respetivo transporte aos tribunais para diligências, tem um segundo período agendado, entre os dias 06 e 11 de maio.

"A forma como o corpo da guarda prisional abordou esta greve foi muito positiva, porque a percentagem de adesão rondou os 95 por cento praticamente todos os dias, e isto demonstra claramente a indignação do pessoal perante a atitude que o Governo e a direção-geral têm tido com estes profissionais", afirmou o presidente do SNCGP, Jorge Alves.

Apesar da greve, os guardas prisionais dizem que asseguraram a abertura das celas para alimentação e assistência médica, medicamentosa e religiosa, além dos transportes para o tribunal para situações que pusessem em causa a liberdade do recluso.

O dirigente sindical sublinhou que as reivindicações da classe profissional se prendem com a regulamentação da carreira.

"[Queremos] essencialmente que cumpram a promessa e a palavra que deram no final de 2011, quando desconvocámos a última greve, sobre a aprovação do estatuto profissional e sobre a regulamentação da carreira, de acordo com a Lei 12A, e as competências para nós podermos combater a criminalidade [dentro das prisões] e combater de forma mais correta e de acordo com a lei o que de mal vai acontecendo nos estabelecimentos [prisionais].

Jorge Alves explicou à Lusa que as negociações se arrastaram ao longo de mais de um ano até serem suspensas pela secretaria de Estado da Administração Pública.

"Nós temos reunido com a tutela... Aliás, andamos a fazer isso há mais de um ano, depois da greve que fizemos em novembro de 2011 e da greve que suspendemos em dezembro de 2011. Desde essa altura, houve o compromisso da nossa parte de que estaríamos aqui dispostos a negociar o estatuto profissional, o que fizemos desde janeiro de 2012, até agosto, semanalmente", resumiu.

"No entanto, o primeiro período de promessa, que era março de 2012, passou, o segundo período, que era março de 2013, passou, e agora a [secretaria de Estado da] Administração Pública veio dizer que só depois do verão é que tem tempo para negociar o estatuto", acrescentou.

O sindicalista indicou que o SNCGP foi convocado para uma reunião na secretaria de Estado da Administração Pública na quinta-feira e que do resultado desta dependerá a manutenção ou desconvocação do segundo período de greve.

"Marcaram-nos uma reunião na próxima quinta-feira no Ministério das Finanças, na secretaria de Estado da Administração Pública, e nós esperamos que já tenham uma solução para o problema que criaram no início de abril, na última reunião que realizámos, porque temos aí um segundo período de greve à porta e, caso não apresentem dados concretos e minimamente razoáveis, teremos de avançar para o segundo período", advertiu o dirigente sindical.

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