"Grândola, Vila Morena" e o hino na despedida de Évora

Os cerca de 100 apoiantes de José Sócrates que se deslocaram da Covilhã a Évora para mostrar solidariedade ao antigo primeiro-ministro ficaram junto à cadeia. Visitas não foram autorizadas.

Os dois autocarros chegaram a Évora pelas 14.00. A partir desse momento foi possível ver que os passageiros, que pagaram 12 euros cada pela viagem, tinham trazido cravos vermelhos e tarjas com frases de apoio a Sócrates. Recorde-se que o ex-primeiro-ministro está detido preventivamente há cerca de 60 dias sob suspeita de fraude fiscal, branqueamento de capital e corrupção.

"Presos políticos nunca mais" é uma das frases que está visível numa das tarjas, sendo que uma das apoiantes traz uma camisola onde está escrito: "Se como um bocado de pão foi porque ele me deu pensão".

Três dos organizadores da marcha quiseram visitar José Sócrates, mas foram informados de que as visitas ao domingo se realizam da parte da manhã e, portanto, foram impedidos de entrar nas instalações da cadeia. Ao terem conhecimento do facto, os apoiantes - neste momento, estarão junto da prisão cerca de 300 pessoas - quiseram mostrar a sua indignação gritando frases como "Fascismo nunca mais". Nesta altura, as letras cravadas na parede da prisão, que foram as palavras 'Estabelecimento Prisional de Évora', estão preenchidas com cravos vermelhos que os apoiantes ali colocaram.

Estão previstos 30 minutos de silêncio e, após a meia hora silenciosa, os apoiantes de Sócrates irão cantar o hino e a canção 'Grândola Vila Morena', de Zeca Afonso.

Os autocarros, transportando cerca de uma centena de pessoas, saíram esta manhã da Covilhã, pelas 9.00. A ideia foi de José António Pinho, empresário amigo de Sócrates, que quis, com esta excursão, transmitir uma mensagem ao ex-governante. "Vou para lhe dizer unicamente 'eu estou contigo independentemente daquilo que possa acontecer. Dou a cara por ti e venho trazer o meu abraço fraterno da cidade onde tu cresceste, onde foste acarinhado e onde as pessoas te consideram como homem e como amigo", disse o empresário à TSF.

José António Pinho referira já esta manhã que, além dos dois autocarros que partiram da Covilhã, eram esperadas dezenas de pessoas de outras partes do país, que já tinham confirmado presença em Évora para o dia de hoje, juntando-se a este "abraço fraterno" de solidariedade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG