PSD pede cancelamento de "encenação vergonhosa" de sessão de perguntas ao Governo

Governo deverá pagar a um grupo de 50 cidadãos que vão, no domingo, questionar os ministros, por ocasião do segundo aniversário do Executivo

O deputado do PSD Luís Montenegro desafiou hoje o primeiro-ministro a cancelar a sessão de perguntas feitas por cidadãos pagos, prevista para domingo no Conselho de Ministros extraordinário, que considerou "imoral, indigna e de uma ligeireza total".

"Lanço um desafio muito direto ao primeiro-ministro e que deve ter uma resposta muito prática: que cancele esta sessão, esta encenação vergonhosa", declarou o social-democrata, em declarações à Lusa.

O jornal Sol noticiou hoje que o Governo de António Costa vai pagar 36.750 euros a um grupo de 50 cidadãos, que vão participar num estudo na Universidade de Aveiro e depois irão fazer perguntar ao executivo. Cada cidadão recebe um pagamento de 200 euros, ou mais, além de ter as despesas de deslocação e alimentação asseguradas.

A iniciativa ocorre no âmbito do Conselho de Ministros extraordinário que se realiza este domingo para assinalar os dois anos do Governo.

Luís Montenegro sublinhou que está em causa "uma reunião formal de um órgão de soberania, não uma ação partidária ou de alguma associação".

O deputado do PSD considera que a sessão é "imoral, porque se está a condicionar, para não dizer comprar, a opinião pública; indigna, porque envolve a realização de um Conselho de Ministros nesta operação, e de uma ligeireza total, porque o Governo assume que os contribuintes pagam".

O anterior líder da bancada parlamentar do PSD disse acreditar que o executivo socialista vai "ter a sobriedade e a decência de não condescender com a realização desta sessão".

Mas, caso o Governo a mantenha, "o país fica ainda mais elucidado sobre o que são as intenções destes governantes, que preferem manter este teatro mediatizado", afirmou Montenegro.

O social-democrata comentou que este tipo de atuação "é uma forma de estar que já não é nova" e "deve ser inspirada na universidade do engenheiro Sócrates, de que António Costa era discípulo, que contratava meninos para mostrar computadores".

Já no atual executivo, quando ocorreram os incêndios de Pedrógão Grande, em junho, o primeiro-ministro "em vez de estar preocupado" com a situação, "criou um 'focus group'" para avaliar a popularidade, afirmou Luís Montenegro.

De acordo com o jornal Sol, o gabinete de Costa afirmou que foi pedida à Universidade de Aveiro "a elaboração de um estudo quantitativo, elaborado pelo professor Carlos Jalali, que aborda [...] o cumprimento das promessas por parte deste Governo e as preocupações que os inquiridos identificam como prioritárias para o futuro".

Coube à empresa Aximage a "definição técnica para a constituição de uma amostra adequada" e o "recrutamento dos participantes", incluindo "a gestão das deslocações [...]" e dos atos relacionados com transporte, alojamento e refeições", de acordo com a mesma fonte do Governo.

O Governo, citado pelo semanário, disse ser alheio aos termos da seleção e recrutamento dos participantes.

Segundo o contrato de adjudicação direita, disponibilizado esta sexta-feira no portal Base.com, trata-se de uma "aquisição de serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional", acrescenta o Sol.

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