Governo vai alargar recrutamento de médicos de família

O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, disse hoje que vão ser abertas mais vagas para o internato de medicina geral e familiar e alargado o recrutamento de médicos de família.

Falando na abertura do 30.º encontro da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que decorre em Aveiro durante três dias, Leal da Costa disse que o Governo, embora reconheça ser difícil, não vai desistir do objetivo de cada utente ter o seu médico de família até ao final da legislatura.

"O nosso maior desafio é assegurar um médico nos cuidados primários de saúde a cada utente. Queremos dar um médico a todos os que o desejem, e sabemos que é muito difícil atingir esse desiderato até ao fim da legislatura, mas não desistiremos", afirmou.

Para o conseguir, o secretário de Estado anunciou que vão abrir "mais vagas para o internato de medicina geral e familiar", e será ampliado o recrutamento.

"Pretendemos contratar todos os que puderem ser contratados e tenham as qualificações exigidas para o exercício das funções de médico de família, alargando o universo de contratação a todos os médicos e não apenas aos que acabam a especialidade", disse.

Leal da Costa adiantou ainda que o Governo está a trabalhar para criar condições de contratação para médicos portugueses que se tenham formado ou especializado no estrangeiro, assim como de médicos aposentados.

"Iremos, se necessário, contratar médicos aposentados, criando um regime legal para a sua contratação em horários parciais, até à reconstrução de um contingente de especialistas no ativo", esclareceu.

Com o objetivo de minimizar o número de utentes ainda sem médico de família, está a ser feita a atualização das listas de utentes, mediante a verificação de inscritos e uma operação de contacto "nunca antes feita nesta dimensão", segundo Leal da Costa, que deu conta de terem sido até ontem enviadas 755 mil cartas para utentes do Serviço Nacional de Saúde.

"É muito mais fazer o recenseamento e chamar elementos para o sistema, do que eliminar utentes das listas", reafirmou.

Para o secretário de Estado, o processo "clarificará as diferenças regionais e locais, sendo aquelas áreas com maior falta de médicos as que serão socorridas em primeiro lugar".

João Sequeira Carlos, presidente da APMGF disse esperar que as atuais restrições orçamentais não limitem o investimento nos cuidados de saúde primários.

"Tudo faremos para colocar na agenda política a prioridade de um maior investimento na evolução dos cuidados de saúde de proximidade, na contratação digna de jovens médicos de família, na investigação dos cuidados primários e na formação e desenvolvimento profissional contínuo", garantiu.

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