Governo ficou chocado com Marcelo

Primeiro-ministro informou Marcelo Rebelo de Sousa das medidas de defesa da floresta e para a saída da ministra da Administração Interna antes do discurso do Presidente da República

A declaração do Presidente da República sobre a resposta a dar nos incêndios foi recebida com surpresa e choque pelo Governo, de acordo com a edição do Público hoje. Pelo tom, mas também porque Marcelo Rebelo de Sousa estava a ser informado de tudo o que estava a ser preparado na reação às tragédias deste verão e nunca mostrou desacordo com que ia ser feito e com o calendário a seguir, segundo diz fonte do Governo ao diário.

Pelo lado do Governo, garante-se que Marcelo Rebelo de Sousa estava a par de todas as medidas que iriam ser tomadas no Conselho de Ministros extraordinário, no último sábado, e também da demissão da ministra, antes de fazer o discurso.

Algumas das medidas foram antecipadas logo na quarta-feira, o dia seguinte ao discurso, dia de debate quinzenal na Assembleia da República (reforço das verbas o Orçamento do Estado para 2018, as indemnizações às vítima e o momento da saída da agora ex-ministra Constança Urbano de Sousa) e foram lidas como cedências do primeiro-ministro ao Presidente.

Marcelo Rebelo de Sousa falou ao país na terça-feira à noite, dos paços do concelho de Oliveira do Hospital, num discurso que foi considerado emotivo e ao mesmo tempo muito duro: o Presidente exigiu uma uma remodelação no governo e pediu que o BE e o PCP dissessem, preto no branco, se ainda apoiavam o executivo liderado por António Costa. A carta de demissão de Constança Urbano de Sousa foi conhecida na manhã seguinte, quarta-feira.

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