Governo da Madeira é alvo no protesto do Funchal

Os representantes do movimento "Que se lixe a troika" na Madeira admitem que, na manifestação de sábado, "sejam levantadas questões regionais" e o Governo de Alberto João Jardim seja "alvejado de forma colateral", face à situação política insular.

"Será de esperar que questões regionais sejam levantadas. É de esperar que num regime que dura há mais de 30 anos e com a política que exerce existam muitas nódoas negras no currículo", disse à agência Lusa Duarte Rodrigues, um dos promotores da iniciativa "Que se lixe a troika", que decorrerá em 40 cidades em Portugal.

Duarte Rodrigues salientou que a posição deste movimento "em relação ao regime jardinista neste momento não é relevante, uma vez que o motivo da mobilização são as políticas da 'troika' e do submisso Governo atual".

Este estudante de Economia da Universidade da Madeira destaca, no entanto, que "é uma realidade que a região está sob o plano de ajustamento e o Governo regional demonstrou a sua debilidade".

Assim, censura a "irresponsabilidade" dos que levantam as bandeiras da independência neste momento, bem como os casos de "incompetência evidentes", que não ficarão "de fora da contestação".

"Apesar do Governo Regional não estar em cima da mesa na mobilização, certamente não deixará de ser alvejado de forma colateral numa manifestação com estas características", reforça.

Questionado sobre os motivos que possam motivar os residentes na região a participarem na manifestação, Duarte Rodrigues declara que "a Madeira também tem uma palavra a dizer, pois a autonomia não pode restringir os madeirenses no que toca às decisões do rumo do país. A Madeira não se restringe à criatividade fiscal e à pedincha de dinheiros".

"Esperamos que o próximo sábado seja prova disso", afirma, realçando a oportunidade desta ação, visto acontecer numa ocasião "em que os senhores da 'troika' vão sair por aquela porta para fazer a sétima avaliação do Memorando, sendo preciso que as pessoas que vivem em Portugal respondam a esses senhores com uma avaliação daquilo que o Governo e eles fizeram".

Duarte Rodrigues admite que os organizadores "estão expectantes em relação aos números. Contudo, não serão eles que ditarão o sucesso da manifestação, mas o vigor".

Este estudante foi um dos impulsionadores no Funchal da ação nacional de 15 de setembro, que foi considerada a maior manifestação popular dos últimos anos na Madeira, tendo reunido muitas centenas de pessoas de várias idades e perfis sociais e políticos.

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