Governo avança em setembro com estímulos ao emprego científico

"Queremos recuperar os nossos cientistas e investigadores para a produção de conhecimento em Portugal", disse o primeiro-ministro, discursando no encontro Ciência 2016

O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo anunciará em setembro medidas de incentivo ao emprego científico e congratulou-se por o comissário europeu Carlos Moedas se ter "libertado" dos "quadros de Excel", regressando ao "mundo dos seres humanos".

António Costa falava na sessão de abertura do encontro "Ciência 2016" no Centro de Congressos de Lisboa, depois de ter entregado medalhas de mérito científico a 12 personalidades nacionais de várias áreas científicas, incluindo as humanísticas, num ato em que participaram também o ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, a sua secretária de Estado, Maria Fernanda Rollo, e o comissário europeu para a Ciência e Investigação, Carlos Moedas.

Após ter ouvido a intervenção de Carlos Moedas sobre a importância da ciência e da investigação numa Europa sem fronteiras, António Costa referiu-se indiretamente à transição deste ex-secretário de Estado do Governo de Pedro Passos Coelho, em que acompanhava o programa de ajustamento de Portugal com a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), para a pasta da Ciência e Investigação em Bruxelas.

"Quero aqui deixar a minha satisfação, não só por vê-lo regressar a Portugal, como também por verificar que, liberto do quadro de 'Excel', regressou ao mundo dos seres humanos", disse, com Carlos Moedas sentado na primeira fila da plateia, provocando alguns risos e algumas palmas.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro começou por elogiar o percurso dos 12 homenageados: Alírio Rodrigues (engenharia química), Arsélio Pato de Carvalho (neurociências), Carlos Bernardo (engenharia de polímetros), João Lopes Batista (biotecnologia agrícola), João Sentieiro (aplicações de robótica), Luís Reis Torgal (História), Miriam Halpern Pereira (História), Nuno Portas (arquitetura), Odete Santos (investigação da SIDA), Pedro Guedes de Oliveira (engenharia eletrónica) e Teresa Lago (física e astronomia).

Depois, António Costa voltou a criticar "a degradação" do investimento público em ciência nos últimos anos, numa alusão ao anterior Governo, e reiterou a meta de atingir até 2020 os 40% de diplomados no Ensino Superior na faixa etária entre os 30 e os 44 anos.

"Elegemos como um dos eixos centrais da nossa ação a capacitação dos centros científicos e tecnológicos, dotando-os de programas de inovação e investigação mobilizadores. Uma medida que será desenvolvida em cooperação com o tecido produtivo de modo a alcançar um efetivo compromisso que estimule o emprego científico", declarou.

Neste ponto, o primeiro-ministro adiantou que o Governo, em setembro próximo, "dará a conhecer o seu novo programa de estímulo ao emprego científico".

"É um programa que visa incentivar a contratação de investigadores doutorados em Portugal e criar condições para a atração de recursos altamente qualificados", especificou o líder do executivo.

Outro dos objetivos de curto prazo do seu executivo passará "pela aposta no acesso às cadeias de conhecimento internacional, através de apoios a projetos".

"Apoiaremos projetos que não só visam o aumento da produção científica e tecnológica de qualidade reconhecida internacional, mas também projetos que promovem a participação das instituições científicas e tecnológicas em programas e redes de investigação e desenvolvimento internacionais. Investir na ciência é investir no futuro e, sobretudo, eleger que futuro queremos para Portugal", sustentou o primeiro-ministro.

Numa mensagem mais política, António Costa reafirmou "o compromisso do Governo de retomar a valorização da ciência e da tecnologia, devolvendo a confiança às instituições científicas e de Ensino Superior".

"Queremos recuperar os nossos cientistas e investigadores para a produção de conhecimento em Portugal, e de Portugal para toda a sociedade global", acrescentou.

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