GNR: guardas em formação disfarçam falta de efetivo

O MAI diz que que a GNR vai ter mais 257 guardas este verão, mas conta com 345 que ainda estão a fazer estágio.

Em reação à notícia do DN que indicava uma diminuição de 201 militares no efetivo da GNR, previsto para este verão, o Ministério da Administração Interna (MAI) veio, em comunicado, refutar esse valor e dizer que o efetivo vai ter mais 257 guardas. Foi também o próprio MAI que admitiu, numa resposta oficial ao PSD e que o DN citou no artigo, que "excluindo os militares em funções no Grupo de Intervenção, Prevenção e Socorro (GIPS) e no Serviço de Proteção de Natureza e Ambiente (SEPNA), que têm funções específicas, "a 1 de janeiro de 2017 e em 1 de janeiro de 2018, o efetivo militar da GNR contabilizava, respetivamente, 21 458 e 21257 guardas". Ou seja, menos 201, como escrevemos, referindo-nos ao efetivo disponível para os postos territoriais, cuja falta era o motivo da preocupação do PSD.

Segundo o gabinete do ministro Eduardo Cabrita, no total de 22 780 militares para o verão de 2018 - agora incluindo o GIPS e o SEPNA - "estão incluídos os 345 guardas provisórios que, neste momento, já se encontram nas Unidades Operacionais". Estes guardas, no entanto, conforme explicou ontem ao DN o presidente da Associação de Profissionais da Guarda, só estarão na plenitude de funções de autoridade policial em setembro. Até lá, "têm de estar sempre acompanhados por outros guardas, não têm qualquer autoridade, não podem identificar uma pessoa nem sequer regular trânsito". Para a APG, a GNR terá até muito maior redução de efetivo do que os 2017, apontando o número de 620 que entraram na reserva no ano passado e lembrando que não serão substituídos antes do final do ano.

Conforme o DN também já referiu, o valor exato do efetivo da GNR varia entre documentos oficiais do governo, complicando comparações rigorosas. Há, pelo menos, quatro valores diferentes. O primeiro na resposta ao PSD, um segundo no relatório de segurança interna diz que em 2017 existiam 22 724 militares, um terceiro no Orçamento do Estado aponta 21 982 (e inclui militares em formação) e agora o MAI diz que em 2017 havia 22 523.

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