Gins do Alentejo são um sucesso. Há sabores a bolota e a morango

Dois produtores de vinho criaram um gin a partir de Touriga Nacional. Um chef avançou para o gin de bolota. Um professor desempregado optou por pera e morango. Tudo no Alentejo.

Foram quatro anos a fazer microdestilações de gin - ao todo foram mais de mil - para Tiago Cabaço e Luís Ferreira acertarem na fórmula que os levou a engarrafar o primeiro gin feito a partir de Touriga Nacional, uma casta de uvas tipicamente portuguesa da qual resultam alguns dos mais prestigiados vinhos do país. Os amigos ajudaram às provas e o resultado começa agora a chegar ao mercado nacional, já existindo igualmente intenções de compra por parte de importadores de Luxemburgo, França e Bélgica.

"Foi na Touriga Nacional que encontrámos o melhor equilíbrio entre acidez e exuberância aromática, mais floral do que cítrica. A acidez veio dar uma maior frescura [à bebida]", conta Tiago Cabaço, produtor de vinhos com provas dadas no Alentejo que para concretizar este projeto se associou ao agrónomo e enólogo Luís Ferreira, amigo de longa data e também ele apreciador de gin.

"Começou por ser um projeto de dois amigos para fazer um gin destinado ao consumo pessoal. A brincadeira tornou-se séria e decidimos engrenar a nível de empresa." Ao longo do período de provas foram ensaiadas 438 plantas botânicas e testados os dois alambiques tradicionais de coluna, fabricados em Portugal, de onde pingou uma primeira produção de 8200 garrafas. Luís Ferreira revela que o processo de fabrico foge ao habitual pois é feita uma pré-maceração com passas de uva, durante um mês e meio, em barricas de carvalho francês. "Utilizamo-las para dar uma certa untuosidade ao álcool antes de ser destilado, para lhe passarmos algumas baunilhas. Toda esta complexidade faz a base do nosso gin, ao qual quisemos incutir o cunho da viticultura portuguesa", sublinha.

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