Gafe de Manuel Pinho na China até foi afirmação acertada

Daniel Bessa defendeu ontem o ex-ministro da Economia,  perante uma audiência que encheu o Centro Cultural e de Congressos  de Aveiro, em mais uma edição dos Encontros Millennium bcp.

Antes de ser forçado a sair do Governo, após o polémico erguer de indicadores à altura da testa, Manuel Pinho ficou conhecido por outros episódios e declarações politicamente incorrectas.

Uma dessas tiradas, quando em plena China o ex-ministro da Economia de José Sócrates gabou o baixo custo da mão-de-obra portuguesa, "foi, talvez, a coisa mais acertada que disse".

O comentário do economista Daniel Bessa motivou sorrisos no esgotado auditório do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, ontem ao final da tarde, palco de mais uma edição dos Encontros Millennium bcp.

O conferencista reabilitou Manuel Pinho, para defender a importância de Portugal "ser um dos países mais baratos" da Europa comunitária para ganhar pontos no jogo global da economia.

Tal implica, argumentou, "controlo" férreo dos custos, sobretudo de produção. "Um desígnio nacional", que deveria mesmo "ser exibido em todo o mundo", tal como o ex-ministro da Economia fez em terras chinesas.

Perante muitos empresários, o antigo titular da pasta da Economia do Governo liderado por António Guterres puxou de números e estatísticas.

A locomotiva movida a consumo interno derrapa. Nem com a ajuda dos aumentos dados aos 700 mil funcionários e a redução dos custos de endividamento voltará a velocidades anteriores. "Vai cair pela primeira vez com algum significado", afirmou.

As famílias estão a iniciar uma inédita trajectória de desendividamento. "O consumo ficará praticamente estagnado", assumiu Daniel Bessa.

As receitas estão em queda e o Estado viu-se forçado a gastar, mas o investimento público "pode não ser o remédio para a anemia".

Para quem produz e vende, "as más notícias vieram para ficar". A alternativa é exportar. Um caminho duro porque "vivemos numa das áreas mais caras do mundo" , que enfrenta também "o problema do câmbio".

Não será, no entanto, a indústria nacional o sector mais capaz, nem a vinda de investimento estrangeiro relevante para que as multinacionais encontram pousos entretanto tornados mais competitivos.

"Portugal vai ser uma economia de serviços", constatou o orador, seguido por todos com atenção, nomeadamente pelo conselho de administração do Millen- nium bcp, que se encontrava em peso na primeira fila.

À indústria ficou a recomendação: "Somos demasiado caros, não digo para fechar. Façam o que puderem", disse, sugerindo como saída a deslocalização de partes produtivas. E dos serviços, não se pense que é apenas o turismo que pode beneficiar o País. Um exemplo é a indústria dos moldes, com grande peso, que "já vende muito mais serviços".

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