Futebolista da 1.ª liga e aluno de Medicina

No âmbito da iniciativa Professor do Ano, o DN convida todas as semanas uma personalidade a descrever a sua experiência de estudante. João Coimbra, médio do Estoril-Praia, da Primeira Liga de futebol, e estudante de Medicina na Universidade de Lisboa, explica como aliou o desporto profissional ao estudo. E como pretende juntar as duas valias

É aluno do quarto ano de Medicina e joga futebol na 1.ª Liga, no Estoril-Praia. Como concilia essas atividades exigentes?

Conciliar, para ser franco, nesta altura não consigo muito bem. Não tenho ido tanto à faculdade [de Medicina da Universidade de Lisboa] como gostaria. Neste momento decidi dar primazia ao futebol porque era de facto muito complicado conciliar as duas coisas. Os três primeiros anos fiz, com algumas dificuldades, claro. O quarto ano é mais prático, e esse foi um dos motivos que me obrigaram a pensar no futebol. Para já.

É verdade que o Mantorras e o Geovanni, dos quais foi colega no Benfica, influenciaram a escolha de Medicina?

Sim. Na altura estava indeciso, com dúvidas se iria para Medicina ou Fisioterapia. Falava com eles e eles próprios diziam: "Se podes optar, opta pelo melhor. A Medicina tem mais saídas." Para dizer a verdade, não sei se não seria melhor ter optado pelo de Fisioterapia. Se calhar já o teria terminado.

Mas quer concluir o curso?

Quero acabá-lo. Disso não tenho dúvidas. Até porque não sei até onde o futebol me poderá ainda levar.

Sempre foi bom aluno?

Sempre fui aluno de cincos, mesmo no secundário também fui muito bom aluno. Tem a ver com a parte da educação que me foi dada pelos meus pais.

Ter boas notas na escola era condição para continuar a jogar futebol?

Principalmente tinha a ver com uma questão de respeito para com eles. O meu pai, quando comecei a jogar no Benfica, trabalhava em Lisboa, vivia na Margem Sul, e ainda ia e voltava todos os dias para me levar aos treinos. Eu sentia que tinha de retribuir de alguma maneira. Mas é claro que também me diziam: "Se queres continuar no futebol, tem boas notas!"

Por que escolas passou?

Não nasci em Lisboa mas sempre vivi cá. Na primária, frequentei a escola n.º 2 dos Foros de Amora. O quinto e sexto anos fiz na Escola Básica 2, 3 de Cruz de Pau. Depois, do 7.º ao 9 .º ano estive na EB 2, 3 de Pinhal de Frades. Fiz o 10.º e o 11.º na secundária Manuel Cargaleiro, no Fogueteiro, e ainda o 12.º ano na Secundária da Amora... também em virtude dos horários. Era júnior e já tinha treinos de manhã.

Os professores compreendiam a sua situação. Houve alguns que tenham contribuído para que continuasse a estudar?

Todos os anos tive sorte com os professores que apanhei. Sempre compreenderam bem a minha situação. Quando fui ficando mais adolescente, com treinos de manhã, sempre foram compreensivos comigo. Retribuía-lhes nos estudos . Mas se tiver de apontar um nome é o da minha mãe, Filomena Coimbra, que é professora de Matemática. Estudei em algumas escolas onde deu aulas, nunca foi minha professora, mas é claro que me ajudou mais, não só ao motivar-me mas no próprio estudo. Com a ajuda dela as coisas tornaram-se mais fáceis.

O João já teve um enorme susto no jogo [paragem cardiorrespiratória ao serviço da seleção de sub-19]. Esse episódio também o influenciou a seguir Medicina?

Todos os momentos como esse marcam-nos. Esse despertou-me o interesse em perceber o que tinha acontecido comigo e pode acontecer a outros colegas.

Onde se vê dentro de dez anos? No futebol ou a exercer medicina?

Sinceramente imagino-me nos dois. Talvez exercendo medicina ligado ao futebol.

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