Freitas do Amaral sugere investigação de pistas de Ramalho Eanes sobre Fundo do Ultramar

O ex-ministro Freitas do Amaral sugeriu hoje que o general Ramalho Eanes terá pistas a dar à Comissão de Inquérito ao caso Camarate sobre os relatórios e contas do Fundo de Defesa Militar do Ultramar (FDMU).

"Se o senhor general Ramalho Eanes nos diz, assumindo a responsabilidade, que leu esses relatórios, que os homologou, que os mandou colocar em arquivo confidencial e que é lá que devem ser procurados, então eu acho que a comissão podia tentar descobrir onde é que esses relatórios estiveram arquivados", afirmou.Diogo Freitas do Amaral falava, em Lisboa, numa audição na IX Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso Camarate, que investiga as causas e circunstâncias da queda do avião que, a 04 de dezembro de 1980, vitimou o então primeiro-ministro Sá Carneiro, o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e todos os restantes elementos da comitiva que seguiam a bordo. Os deputados da comissão já admitiram chamar o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, que, por ter ocupado aquele cargo, tem a prerrogativa de responder por escrito.

Freitas do Amaral, que assumiu "parte da responsabilidade" na criação da IX Comissão de Inquérito devido ao apelo público que fez no seu livro "Camarate - Um Caso ainda em Aberto" - considerou importante que a comissão dê seguimento a uma das pistas de investigação que deixou na obra: o que sucedeu ao Fundo de Defesa Militar do Ultramar. O ex-governante disse que da investigação poderão ou não surgir indícios de atividade criminal, nomeadamente utilização indevida ou desvio de dinheiro, e também alguma pista relacionada com o desastre de Camarate. Amaral citou declarações públicas de Ramalho Eanes, de dezembro, nas quais o ex-chefe do Estado garante que existiam relatórios anuais sobre a atividade do FDMU e que ele próprio os homologou, entre 1976 e 1981, quando abandonou o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).

"Tendo sido CEMGFA de 76 a 81, saberá explicar muitas das coisas que nós não sabemos", disse Freitas do Amaral, referindo que Ramalho Eanes afirmou "que mandou arquivar os relatórios como documentos confidenciais". Freitas do Amaral sugeriu que a comissão "podia tentar descobrir onde é que esses relatórios foram arquivados", declarando que o ex-Presidente da República saberá certamente dar as pistas sobre onde foram arquivados como documentos confidenciais". Segundo o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, o FDMU tinha uma conta principal e mais duas que podiam ser movimentadas por um membro do conselho de administração do fundo. Seria por essas duas contas "que passava o maior volume de receitas", sendo que não há "qualquer reflexo dessas movimentações" na contabilidade do fundo, acrescentou.

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