Francisco Rodrigues: "Deve-se refletir sobre como reagiríamos"

Francisco Rodrigues é vice-presidente do Observatório de Segurança

Que avaliação faz do atentado de Manchester?

Estes ataques têm sido perpetrados, em regra, em locais de concentração de pessoas e preferencialmente onde não se identifiquem medidas acrescidas de segurança, os quais vêm causando sérios impactos, tanto psicológicos como económicos e levados a efeito de forma isolada ou em pequenos grupos, por pessoas que se entregam ao martírio. A única consideração que colocava é o facto de este atentado ter sido realizado num local onde, maioritariamente, se concentrava um elevado número de adolescentes e até mesmo crianças, o que provoca naturalmente um maior choque perante os valores da nossa sociedade.

Era possível ter prevenido este atentado?

Não me parece ser possível prevenir todos os atentados, pois, caso contrário, estou certo de que as autoridades britânicas o teriam feito, à semelhança de tantos outros que têm conseguido evitar. Não nos devemos esquecer de que a Grã-Bretanha tem apostado fortemente na prevenção de atos terroristas, principalmente desde os atentados de 2005 e tem dos melhores serviços de informações. Dada a imprevisibilidade destas situações, geralmente as medidas de segurança acabam por ser reativas em vez de proativas. No entanto, o que gostaria de realçar foi a forma como as autoridades policiais e de proteção civil reagiram a este atentado, demonstrando uma forte aposta na preparação da resposta a estes atos, onde ficou patente a forma integrada e coordenada dessa mesma resposta.

Que impacto ou influência poderá ter este género de atentado no paradigma de segurança de Portugal?

Gostaria que se retirassem ensinamentos ou pelo menos nos levasse a refletir como reagiríamos se nos acontecesse um infeliz episódio terrorista com esta dimensão.

Já foi um comandante operacional de uma unidade de elite da GNR. Numa situação destas que tipo de medidas de prevenção ???????seriam tomadas?

Canalizava os esforços para a obtenção do máximo de proteção possível dos cidadãos. Esta proteção deverá começar pelo incremento da intelligence, principalmente naquilo que poderá servir como prevenção e preparação para os impactos de um possível ataque.

Estão previstos muitos concertos e festivais de verão. Que preocupações devem ter as autoridades e como as transmitir aos cidadãos sem criar pânico ou medo?

A preservação do sentimento de segurança deve ser uma das prioridades, pois, caso contrário, estamos a "oferecer de bandeja" aos hipotéticos terroristas uma das suas armas, a disseminação do sentimento de insegurança e instabilidade societária. As minhas preocupações não se concentrariam só nos festivais de verão, mas sim em todos os eventos de grande aglomeração de público. No meu entendimento, os esforços de proteção devem ser direcionados para o robustecimento das condições de segurança de modo a retirar aos hipotéticos terroristas a capacidade e a oportunidade de concretizarem os seus atos hediondos. Não existem receitas e muito menos fórmulas matemáticas para lidar com este tipo de ameaças. Procura-se, no entanto, criar as condições para afastar o mais possível a ameaça do alvo, através da implementação de medidas, de tecnologias e procedimentos, sabendo que quanto mais complementares e integradas forem, menos "brechas" se abrem no dispositivo de segurança.

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