FNE protesta e apresenta "mais providências cautelares"

A Federação Nacional da Educação protestou hoje, no centro de Lisboa, contra a prova de avaliação dos professores, no dia em que apresentou "mais providências cautelares" para obrigar o Governo a desistir da medida.

"Temos providências cautelares que estão à espera de resolução e hoje a FNE apresentou novas providências cautelares em relação a um conjunto de injustiças", disse aos jornalistas o secretário-geral da Federação, João Dias da Silva.

A Federação Nacional da Educação (FNE) já tinha apresentado uma providência cautelar pela "injustiça" da prova e hoje apresentou uma nova, a propósito das "condições de realização da prova". É que, disse João Dias da Silva, por exemplo professores que estejam a trabalhar no ensino da Cultura e da Língua portuguesas na África do Sul, que sejam contratados e que queiram vir a ser colocados no próximo ano, terão de vir a Portugal realizar a prova.

O mesmo se passa com professores noutras partes do mundo, da Alemanha ao Luxemburgo ou à Suíça, da Guiné-Bissau, Cabo Verde e Angola a Timor-Leste, salientou o secretário-geral, lembrando que, também nos Açores, terão de se deslocar, porque a prova apenas se realiza em três das nove ilhas da região.

Quer a FNE quer Federação Nacional dos Professores (Fenprof) têm protestado contra a realização de uma prova de avaliação de conhecimentos dos professores, marcada para dia 18, dia para o qual a FNE já agendou uma greve.

Hoje, junto do Campo Pequeno, em Lisboa, mais de uma centena de professores juntou-se para protestar contra a prova, por a considerarem "uma inutilidade", um "desperdício de recursos, de tempo, de energias e de meios", e ao mesmo tempo para esclarecer a população sobre os protestos.

Com frases como "Senhor Professor Doutor Nuno Crato quando é a sua prova?" ou outras mais irónicas como "Sinhôr Crato, vi-mus convidálu à faser a prova cagent nu dia 18", os professores garantiram que a prova não contribui para a melhoria do sistema de ensino, não promove a aquisição de conhecimentos e revela falta de respeito pela classe.

"Não devemos pactuar com determinadas dúvidas que se colocam sobre determinadas classes profissionais, porque se não, às tantas, temos de andar a perguntar: será que os juízes são bem formados? Os advogados são bem formados? Os enfermeiros, os médicos, os polícias são bem formados?",

Questionou o secretário-geral da UGT, também presente na concentração.

Carlos Silva disse não estar em causa a avaliação de qualquer trabalhador, mas acrescentou que não faz sentido que pessoas com 15 ou 20 anos de carreira continuem a contrato e que tenham agora de fazer uma prova de aferição. "É lançar um anátema sobre os professores", disse.

João Dias da Silva pediu ao Governo "bom senso" e que, caso insista na prova, ao menos que "não tenha como alvo pessoas que têm servido o sistema educativo".

"Se o Ministério insistir na realização da prova, consideramos que há um grupo de pessoas relativamente às quais se torna indispensável ter um sinal de respeito, que são os que têm servido o sistema educativo. Os que já foram avaliadas no sistema educativo não devem realizar esta prova", esclareceu.

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