FNE diz que OCDE confirma alertas sobre falta de equidade

A Federação Nacional da Educação (FNE) considerou hoje que o relatório da OCDE vem confirmar os alertas que a estrutura sindical tem feito sobre a falta de equidade do sistema educativo perante diferentes contextos económico-sociais.

"Essa é uma das nossas preocupações. O relatório confirma a posição negativa de Portugal. Não temos um sistema educativo que promove a equidade", disse à agência Lusa o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, ao comentar o relatório de Perspectivas da Educação 2011, hoje divulgado em Paris.

De acordo com o documento, Portugal está entre o grupo de países que cumulam "um nível elevado de vulnerabilidade" de alunos originários de meios sócio-económicos desfavorecidos a níveis inferiores de competências escritas, com "um nível elevado de desigualdade".

Sobre os salários dos professores (com 15 anos de serviço), Dias da Silva garantiu que os docentes sofreram uma redução de 10 por cento no poder de compra, entre 2000 e 2009, devido à inflação e aos congelamentos nas carreiras que impediram a progressão.

O documento aponta para "um aumento claro" dos salários dos professores na última década em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, contrariando a tendência de "regressão" noutros países.

"Portugal desceu o PIB, portanto a comparação em relação aos salários distorce os dados", referiu.

O dirigente sindical sublinhou: "às vezes, um dos problemas destes relatórios é a perspectiva em que se comparam os números".

Dias da Silva destacou, também, que o relatório contém dados recolhidos essencialmente em 2008 e 2009, o que desde logo traz "algum distanciamento da actualidade".

A "subida" reportada nos salários coloca Portugal acima da média do espaço da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) e em nono lugar na tabela de variação entre 28 países considerados.

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