FNE diz que agrupamentos "comprometem qualidade de ensino"

O secretário-geral da Federação Nacional do Ensino, João Dias da Silva, considerou hoje que a criação de mais agrupamentos de escolas "não contribui para a melhoria dos resultados escolares" e "compromete a qualidade" do ensino e da aprendizagem.

Em declarações à agência Lusa a propósito da conclusão na segunda-feira pelo Governo do processo de agregação de escolas, criando 18 novos agrupamentos escolares, quase todos com mais de dois mil alunos, João Dias da Silva considerou que a "rede fica mal definida" e excessivamente grande.

"São unidades excessivamente grandes. Não se garantiu aquilo que é a prevalência de critérios de ordem pedagógica sobre critérios de ordem administrativa e financeira", afirmou, realçando que a Federação Nacional de Educação (FNE) está preocupada com a qualidade do ensino e da aprendizagem e com o que deveria ser o trabalho a desenvolver entre professores e alunos.

No entender do secretário-geral da FNE, o Governo preocupou-se apenas com questões de ordem administrativa e com os custos.

"O que está em causa são critérios de ordem financeira e poupança. Tem a ver com a redução de custos em termos de número de pessoas. A verdade é que vamos ter um maior número de alunos atribuídos por professor", disse.

De acordo com João Dias da Silva, estes agrupamentos de escolas, mais do que despedimentos de docentes e não docentes, vai afetar as condições de ordem pedagógica.

"Fica também prejudicada a possibilidade de os alunos terem esses professores atribuídos a atividades de apoio pedagógico e de promoção de sucesso educativo", referiu, salientando que "não é desta forma que se contribui para a melhoria dos resultados escolares".

O responsável lembrou que a FNE já explicou a sua posição junto dos grupos parlamentares na Assembleia da República e no próximo sábado irá fazê-lo no Porto, juntamento com a Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), vai levar a cabo uma convenção nacional com o tema "Por uma educação pública de qualidade para todos. Não a mais cortes na educação", na qual vão estar presentes ex-ministros da Educação, como David Justino, presidentes de câmara e diretores de escolas.

Do processo concluído na segunda-feira pelo MEC saíram 18 novos agrupamentos escolares.

O maior dos agrupamentos criados, segundo uma nota de imprensa emitida pelo MEC, resulta da junção de dois agrupamentos de escolas em Vila do Conde, no distrito do Porto, com 3.301 alunos a cargo.

Dos novos 18 agrupamentos apenas três têm menos de dois mil alunos e foi no distrito de Lisboa, mas fora da capital, que se concretizaram mais junções de escolas e agrupamentos de escolas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG