Fim das isenções "é o que faltava para acabar com interior"

O movimento Empresários pela Subsistência do Interior classificou hoje o fim das isenções nas autoestradas ex-SCUT como "a peça que faltava para acabar" com a região.

O Governo confirmou que terminaram no domingo as dez isenções mensais para residentes e empresas nas sub-regiões (NUTS III) a 20 quilómetros das antigas vias sem custos para o utilizador (SCUT).

Anunciou, também, que o desconto de 15 por cento, de que só estes moradores e firmas beneficiavam, passa a aplicar-se a todas as viaturas que circulem nas ex-SCUT.

Luís Veiga, porta-voz do movimento Empresários pela Subsistência do Interior, disse hoje à agência Lusa que o fim das isenções "é a peça que faltava para acabar com o interior" e revela "uma falta de sensibilidade do Governo" para com a região.

Aquele responsável desafiou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, a mostrar a documentação da União Europeia com que o Governo justifica o fim das isenções, por alegada violação de normas contra a discriminação de veículos consoantes a origem.

O movimento de empresários convidou ainda o governante "a viajar de Lisboa à Guarda por vias alternativas", para realçar que não há estradas que substituam as autoestradas.

Várias sub-regiões do interior tinham isenções em mais que uma autoestrada, por estarem perto de várias vias ex-SCUT.

A sub-região da Serra da Estrela (concelhos de Gouveia, Seia e Fornos de Algodres) era a única que beneficiava nas três autoestradas do interior (dez viagens grátis em cada uma), que poderiam totalizar 416 euros por mês, por cada veículo ligeiro.

Uma dezena de passagens gratuitas para ligeiros valia 164 euros na A23 (entre Guarda e Torres Novas), 119 euros na A24 (entre Viseu e Chaves) e 133 euros na A25 (entre Aveiro e Vilar Formoso).

Os valores calculados pela agência Lusa respeitam a viagens de uma ponta à outra de cada autoestrada, já com o desconto de 15 por cento aplicado.

Do mesmo modo, as sub-regiões da Beira Interior Norte e Cova da Beira beneficiavam de isenções na A23 e A25 e perdem 297 euros de isenções.

Havia ainda sub-regiões com passagens grátis no valor de 252 euros na A24 e A25 (Douro, Entre Douro e Vouga, Dão Lafões e Pinhal Interior Norte).

O núcleo duro do movimento Empresários pela Subsistência do Interior engloba cerca de 50 empresários dos distritos de Castelo Branco e Guarda e respetivas associações, defendendo os interesses de cerca de 8.000 empresas, disse Luís Veiga.

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