Filhos do antigo embaixador do Iraque acusados de tentativa de homicídio

O caso aconteceu em 2016, quando Haider e Ridha espancaram Rúben Cavaco. As famílias chegaram a acordo, mas crime é público

O Ministério Público (MP) deduziu acusação contra os filhos do antigo embaixador iraquiano em Portugal por tentativa de homicídio de um jovem, em agosto de 2016, em Ponte de Sor, no distrito de Portalegre.

A acusação foi divulgada na página da Internet do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, sem identificar os arguidos, mas fontes judiciais confirmaram hoje à agência Lusa que são os filhos do antigo embaixador do Iraque em Portugal.

"Em inquérito cuja investigação correu termos no DIAP de Évora, o Ministério Público deduziu acusação para julgamento por tribunal coletivo contra dois arguidos, imputando-lhes a prática de um crime homicídio na forma tentada", pode ler-se no comunicado.

As mesmas fontes judiciais explicaram à Lusa que o processo de investigação foi encerrado e que foi proferido o despacho de acusação, aguardando-se que os arguidos sejam notificados.

O caso aconteceu a 17 de agosto de 2016, quando o jovem Rúben Cavaco foi espancado em Ponte de Sor pelos filhos do embaixador do Iraque em Portugal, Haider e Ridha, gémeos que tinham na altura 17 anos.

O jovem sofreu múltiplas fraturas, tendo sido transferido no mesmo dia do centro de saúde local para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e chegou mesmo a estar em coma induzido. Acabou por ter alta hospitalar no início de setembro de 2016.

Em janeiro do ano passado, a família do jovem formalizou um acordo extra-judicial com o embaixador Saad Mohammed Ali, que deu ordem de transferência de 40 mil euros para a conta da vítima, que se somaram aos 12 mil relativos a despesas hospitalares. O acordo incluía a renúncia de apresentar queixa ou pedir futuras indemnizações tanto aos irmãos Haider e Rhida como a Rúben Cavaco, uma vez que os irmãos iraquianos também alegaram terem sido agredidos. No entanto, o acordo não tem influência sobre o processo no Ministério Público, uma vez que o crime em causa é público.

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