Fenprof rejeita responsabilidade de professores por erros nas bolsas de colocação

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) rejeitou hoje qualquer responsabilidade dos docentes por erros nas candidaturas a ofertas da bolsa de colocação de professores, afirmando que é o Ministério da Educação que não está a dizer a verdade.

Em declarações aos jornalistas nas instalações do Ministério da Educação e Ciência no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, para onde se deslocou o protesto de cerca de uma centena de professores que se concentrou ao início da tarde frente à sede do ministério na avenida 5 de Outubro, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou que os professores fizeram o mesmo que têm feito nos últimos anos.

A Fenprof contesta a segunda bolsa de colocação de professores que, segundo alega, fez com que muitos professores graduados ficassem desempregados porque na aplicação eletrónica da Direção-Geral dos Recursos Humanos da Educação as vagas anuais a que se candidataram apareceram como temporárias e não foram selecionados para elas.

"Entre 15 e 20 de Setembro, para as escolas estava bloqueada a opção anual" no lançamento de horários para professores contratados, indicou Mário Nogueira, que reiterou que a Fenprof vai mandar para a Procuradoria-Geral da República os "indícios" que tem de que houve "manipulação de dados" por parte da tutela.

"Exigiremos a responsabilização política dos que fizeram esta pouca vergonha e em quem nós dificilmente poderemos voltar a confiar se se provar que os indícios são mais do que indícios", declarou Mário Nogueira aos professores em protesto.

Susana Gama, uma professora do primeiro ciclo que pela primeira vez em oito anos ficou desempregada, afirmou à Agência Lusa que a bolsa de colocação de professores, último recurso para os que não foram contratados na primeira vaga do concurso, "foi um desilusão".

A professora, que diz que viu colegas com menos graduação ficarem com contratos anuais porque declararam candidatar-se a horários temporários e muitos que surgiram como temporários eram anuais, queixou-se de que os serviços do Ministério "tratam as pessoas como números e não como pessoas".

"Na DGRHE perguntaram-me se não sabia que o país está mal e por que razão não me candidatei a lugares temporários. Disseram-me que as vagas anuais são pouquíssimas e que a mim ninguém colocaria em lugares temporários porque estou grávida e quase no fim do tempo", queixou-se.

Susana Gama defendeu que a tutela deve "anular o concurso e tentar colocar os professores nos lugares devidos" porque "as regras não podem ser mudadas a meio do jogo".

"Adoro o que faço, já trabalhei no Porto, nas Caldas da Rainha, já estive em três escolas num ano. Ao fim de oito anos estava numa situação boa, já não tinha que me candidatar a lugares temporários", salientou.

Para Mário Nogueira, os professores mais graduados não tinham que se candidatar a lugares temporários, porque "podiam ser colocados um mês e ficar desempregados os outros 11".

Para a Fenprof, houve uma intenção de a tutela querer poupar dinheiro com a "manipulação" do sistema que impediu os horários de serem lançados como anuais: "Este ano houve 14 por cento de horários anuais na segunda bolsa de colocação quando no ano passado houve 71 por cento".

"As escolas não alteraram assim tanto as suas necessidades", argumentou.

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