Fenprof levanta a greve nos concelhos afetados pelos incêndios

Fenprof e FNE não se entendem com Ministério mas professores das áreas atingidas pelos incêndios foram "convocados" a estarem nas escolas. Ministro promete manter diálogo

Seis horas de negociação, até às 21.00 não foram suficientes para Ministério da Educação e Federação Nacional dos Professores (Fenprof) chegarem a um consenso que permitisse desconvocar a greve de hoje, com as partes a garantirem que foram o mais longe possível. Mas a reunião terminou também com manifestações de solidariedade dois lados para com as populações afetadas pelos incêndios dos últimos dias, com a Fenprof a convidar os docentes das áreas atingidas a não aderirem à greve.

"Em solidariedade para com as populações, e sobretudo os jovens, as crianças, os alunos e os docentes das áreas atingidas pelo incêndio, a Fenprof não fará qualquer levantamento de adesão à greve nesses concelhos", disse aos jornalistas Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof."E apela, nesses concelhos, nomeadamente Góis e Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, Oleiros e Sertã em Castelo Branco e também Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, que os nossos colegas que estão neste momento nas escolas, em trabalho de apoio, aos alunos permaneçam nas escolas".

Também o ministro, Tiago Brandão Rodrigues, começou por manifestar a solidariedade em relação à questão dos incêndios, contando que o Ministério se tem mantido em diálogo com autarcas e direções de escolas no sentido de serem encontradas "soluções para que as atividades letivas se realizem ou não, em função dos acontecimentos em cada um dos concelhos", reiterando que serão acauteladas as situações dos alunos que não possam realizar exames e provas de aferição nestes concelhos.

"Fomos muito longe"

No que respeita às negociações com os sindicatos, não houve consenso idêntico. A Federação Nacional de Educação (FNE) foi a primeira a dar por terminados os trabalhos, por volta das 18.00, com João Dias da Silva a confirmar a greve.

De acordo com o sindicalista, de oito propostas apresentadas por esta organização sindical, o ministério "apenas acolheu uma", relativa à audição dos sindicatos na discussão da portaria de rácios do pessoal não docente [número de funcionários por aluno]" manifestando "ligeira" abertura para discutir outras duas.

Também Mário Nogueira lamentou a "falta de disponibilidade" da tutela para assumir por escrito pelo menos a abertura para negociar aspetos como a vinculação ou a aposentação e o descongelamento das carreiras. Garantindo que a Fenprof foi "muito longe" nas cedências, o dirigente da Fenprof deu o exemplo da exigência de um regime especial de aposentação de professores, que a organização admitia deixar de parte até ser constituído um grupo de trabalho para estudar o desgaste na profissão, lamentando que "nem isso" o Ministério tenha aceitado deixar em ata.

"De forma responsável não pudemos chegar mais longe", defendeu o ministro, que reiterou a disponibilidade para o diálogo e lembrou que várias das questões suscitadas pelos sindicatos integram-se em respostas que o governo pretende dar a toda a Administração Pública. A Fenprof também não fecha a porta negocial mas também admite que poderão haver novas formas de luta.

Para já, com os serviços mínimos decretados, as provas de hoje - Física e Química, Geografia e História da Cultura e das Artes e aferições -, com 200 mil inscritos, deverão realizar-se sem dificuldades.

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