Fenprof alerta para perigo de facilitismo e deturpação de números de sucesso

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou hoje para o perigo de seguir o caminho do facilitismo e da deturpação das estatísticas de sucesso escolar ao acabar com os chumbos no ensino.

"Ou vai haver um forte investimento na educação, com mais apoios para os alunos e com programas adaptados, ou não vai ser assim e isso começa a preocupar-nos", comentou à agência Lusa o dirigente da Fenprof Mário Nogueira.

Em entrevista publicada hoje no Expresso, Isabel Alçada diz que a fórmula do chumbo "não tem contribuído para a qualidade do sistema".

"A alternativa é ter outras formas de apoio, que devem ser potenciadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado", adiantou a governante, acrescentando que pondera alterar as regras de avaliação durante o seu mandato, apesar de pretender um consenso e um debate alargado no sector.

Mário Nogueira considera que é uma "incoerência" querer comparar os níveis de sucesso de Portugal com os países nórdicos sem um investimento no ensino, sublinhando que nos últimos dois anos 21 mil alunos "foram afastados da educação especial".

"O caminho que se deve evitar rejeitar é o do facilitismo, que é o da não retenção ainda que os níveis de conhecimento e competência não sejam os indispensáveis. Era bom nós percebermos se a intenção é de alterar políticas e de investir na educação ou uma intenção de intervir no plano das estatísticas através de manipulações que são feitas com medidas orientadas para isso", comentou à Lusa.

Para a Fenprof, é claro que qualquer pessoa implicada no processo educativo quer acabar com os chumbos, mas a questão central é qual o caminho para que isso aconteça.

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