Falta saber se Al-Qaida resistirá "sem controlo central"

A questão que se coloca depois da morte de Usama bin Laden é saber se a Al-Qaida "tem capacidade para subsistir sem controlo central", disse hoje à agência Lusa o embaixador português em França, Francisco Seixas da Costa.

"É muito cedo para dizer" se a morte do líder da Al-Qaida representa um golpe decisivo contra o terrorismo ou se a organização é "uma espécie de 'franchising'" descentralizado que representa interesses extremistas diversificados, disse Seixas da Costa em Lisboa, à margem de uma conferência organizada pela Observatório de Imprensa. "É um pouco triste dizer que uma morte pode abrir caminho à esperança mas, na realidade, Bin Laden era o símbolo de um movimento terrorista que causou, nos últimos dez anos, uma grande instabilidade no mundo", acrescentou o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e também antigo embaixador português nas Nações Unidas.

Seixas da Costa acredita que, "numa certa fase", Bin Laden "terá sido verdadeiramente instrumental para o processo político dos movimentos terroristas", enquanto que numa fase posterior o seu papel terá sido meramente de inspirador de outros grupos radicais. "Mas, em termos simbólicos, e a simbologia tem grande importância nesta parte do mundo [a Ásia Central e o Médio Oriente], o seu desaparecimento é algo de significativo", disse Seixas da Costa.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou no domingo à noite em Washington que Usama bin Laden foi morto no Paquistão por forças especiais norte-americanas. Segundo fontes norte-americanas, o líder da Al-Qaida foi morto durante um ataque a um complexo nos arredores de Islamabad, onde a presença de Bin Laden foi confirmada no final Aabril.

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