Falar de aumento do preço do pão ajuda especulação

A ACIP alertou hoje para a possibilidade de as declarações do secretário de Estado da Agricultura sobre hipotéticos aumentos dos preços do pão contribuírem para a especulação e serem contrárias às tendências do mercado.

A Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), em comunicado, lembrou que se tem verificado nos últimos anos uma tendência de baixa dos preços dos cereais a partir de Junho e Julho, depois de aumentos na primeira metade do ano, prevendo uma redução de entre 13 a 15 por cento até Dezembro deste ano.

Na terça-feira, o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, admitiu a possibilidade de um aumento do custo do pão, consequência do preço dos cereais que disparou 76 por cento no último ano e deve continuar a subir.

"Claro que se os preços (dos cereais) persistirem, é possível que haja um impacto (no pão)", considerou, em Mirandela, à margem de uma reunião com uma associação local de agricultores.

Numa referência quer às afirmações do secretário de Estado quer às da presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas em Agosto sobre potenciais aumentos, a ACIP responde que "ambas as intervenções vão no sentido de ajudar à especulação e fazer uma inversão das tendências naturais do mercado".

Com a ressalva de que a ACIP "não pode nem deve intervir na formação de preços", o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Carlos Alberto Santos, deixou um apelo aos associados para que "não optem, no imediato, pela medida mais fácil, ou seja, aumentar os preços", de modo a que protejam os consumidores.

Um aumento de preços do pão "não é oportuno", por ser um bem de primeira necessidade, apesar de a ACIP compreender a necessidade de proceder a actualizações de valores, num contexto de dificuldades por parte das empresas.

"Vemos como solução uma luta feroz contra a especulação dos preços dos cereais, uma intervenção governativa que regule esses mesmos preços e apoie os agricultores portugueses na produção nacional (não podemos continuar a importar 90 por cento dos cereais que consumimos)", declarou a ACIP.

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