Exames do 4.º ano são teste às crianças e às preocupações de pais e autarcas

Os alunos do 4.º ano estreiam-se na terça-feira no primeiro de dois dias de exames nacionais, provas que 'testam' os receios das próprias crianças mas também as dúvidas dos pais e das autarquias.

Em Paredes de Coura, em pleno coração do Alto Minho, há uma década que todos os alunos do primeiro ciclo do ensino básico do concelho estão concentrados num único centro escolar, no centro da vila.

Ao todo são 320 crianças mas, na próxima semana, devido às provas nacionais de Português (07) e de Matemática (10), só menos de 80 é que vão à escola.

Eduardo Bastos, da associação local de pais, admite algumas dúvidas ainda por esclarecer, como a obrigatoriedade de os alunos apresentarem o cartão de cidadão, assinando o teste conforme consta do documento de identificação.

"A minha filha, por exemplo, fez o cartão quando tinha cinco anos e está lá escrito que não sabia escrever. Como vai fazer agora no exame? Mas há outros casos, de crianças que tinham uma letrinha no início e agora escrevem de uma forma totalmente diferente", apontou.

Ainda assim, nada que se compare ao nervosismo. "É a primeira vez que acontecem os exames e a primeira vez que estas crianças são chamadas. O maior problema é o bicho-de-sete-cabeças que isto representa para os miúdos e que poderá ser prejudicial", admitiu.

Ainda no Alto Minho, o concelho de Melgaço conta com 216 alunos nos dois centros escolares do primeiro ciclo. Destes, 10 vão ter de viajar desde o centro escolar de montanha, em Pomares, até à sede do agrupamento, na vila.

A viagem, de 18 quilómetros, será assegurada pela autarquia.

"Sem que ninguém nos pedisse nada já tratamos disso e vamos assumir nós o transporte das crianças, com os nossos próprios meios", explicou à Lusa a vereadora da Educação, Maria José Pinho.

Os alunos estão obrigados a fazer os exames nas sedes dos respetivos agrupamentos escolares sendo as autarquias, que asseguram o regular transporte escolar, chamadas pelo Ministério da Educação e da Ciência (MEC) a prestar apoio.

Contudo, nem todas o podem fazer, como a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, que assume não ter capacidade de resposta porque a hora em que os alunos devem começar a prestar provas coincide com o transporte dos restantes estudantes.

"Nós colaboramos e fazemos todos os esforços, mas é impossível dar resposta com a nossa rede de transportes", frisou Graça Silva (PS), lamentando que o Governo tenha avançado "sem ter noção da realidade" do país, nem "ter perguntado antes às autarquias" se teriam condições para assegurar o transporte.

Já no concelho de Sabugal será a Câmara Municipal a assegurar o transporte dos alunos das oito escolas até à sede do agrupamento, na cidade. No caso dos alunos da freguesia de Bendada, a viagem será de cerca 25 quilómetros.

"Temos essa situação perfeitamente enquadrada com a direção do Agrupamento de Escolas", assume o presidente, António Robalo (PSD).

Recorda que os alunos do concelho sempre foram transportados pelo município, pelo que a marcação destes exames "não origina qualquer problema acrescido", apenas "um pequeno acréscimo de custos" para os cofres da autarquia.

No caso de Évora, Cláudia Sousa Pereira (PS) garante que a Câmara não foi contactada pelo MEC para articular este transporte com os circuitos escolares regulares.

"Até agora, a Câmara de Évora só tem recebido contactos informais de algumas escolas do concelho que se mostram preocupadas com o transporte dos alunos nas datas específicas dos exames", adiantou a vereadora da Educação.

Defende que caberia ao Ministério "coordenar e articular" o transporte com as autarquias, dizendo-se por isso "espantada" com o "silêncio ensurdecedor" do Governo.

E, apesar do "interesse em colaborar", desde já adverte que a Câmara e as Juntas do concelho "não estão disponíveis para aumentar os seus encargos".

Já em Portalegre, a vereadora Ana Manteiga disse à Lusa que o transporte das crianças das freguesias rurais para o local dos exames naquela cidade alentejana está "assegurado" pelo município.

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