Exames do 4.º ano. O que o governo fez, o parlamento desfaz

Deputados vão acabar hoje com provas de Nuno Crato. Antigos ministros criticam política de reverter tudo o que foi feito.

Os exames do 4.º ano não agradam. Mas a forma como estes vão acabar também não reúne consenso. O parlamento vota hoje as iniciativas do Bloco de Esquerda e do PCP para acabar com estas provas introduzidas pelo ministro Nuno Crato, em 2013. Iniciativas que antigos titulares da pasta e o representante dos pais criticam por ser um sinal de querer anular de uma só vez todas as medidas de que não se gostava do anterior governo. E apesar de também não serem defensores desta forma de avaliação, acreditam que o mais importante é pensar num compromisso para a educação.

"É preciso criar um pacto que dê estabilidade à educação. Podia-se esperar pelo fim do ano letivo para decretar o fim das provas do 4.º ano", defende Roberto Carneiro, ministro entre 1987 e 1991. Entendendo que a votação proposta no parlamento, sem discussão alargada, é apenas acabar com o que foi feito pelo anterior governo e não "uma medida de estabilidade".

Também contra a existência destas provas, mas não totalmente agradada com o agendamento desta votação, está Maria de Lurdes Rodrigues. A ex-ministra do governo de José Sócrates defende, no entanto, que os deputados estão apenas a responder na mesma forma que o anterior governo, ou seja, "sem diálogo". "Não é a melhor forma de fazer políticas públicas, mas é a melhor forma de responder ao governo anterior que legislou sem consensualizar e sem debate público", acrescenta.

Esta reação da maioria de esquerda é, pois, "a maneira dos deputados responderem à forma de governar anterior, acabando assim com medidas gravosas para a educação. Há coisas que é urgente suspender, como o vocacional, e outras que devem já ser retomadas como a educação de adultos". No entanto, Maria de Lurdes Rodrigues entende que "é bom que se superem estas clivagens" daqui para frente.

O único organismo que se pronunciou publicamente a favor das provas e da sua continuidade tal como estão foi a Sociedade Portuguesa de Matemática. Numa carta enviada aos grupos parlamentares defende que o exame é "um instrumento importante para aferição dos conhecimentos dos alunos no final do 1.º ciclo e a análise cuidada dos seus resultados constitui um indicador precioso para identificar fragilidades na aquisição de conhecimentos".

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