EUA assinalam a "impressão favorável" de Cavaco

A visita de Cavaco Silva a Moçambique em 2008 mereceu uma atenção inusitada do público e dos media locais e deixou uma "impressão favorável" no país, considerou então a embaixada norte-americana em Maputo num despacho divulgado hoje pela Wilkileaks.

"Em parte devido à longa e complexa história e relação entre os dois países, a visita de Cavaco Silva recebeu uma atenção sem precedentes dos media e do público moçambicano", refere o encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Maputo, Todd Chapman, num despacho enviado para Washington em 11 de abril de 2008.

Pouco antes, em finais de março, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tinha efetuado uma visita de três dias a Moçambique, a primeira de um chefe de Estado português, em mais de 10 anos, que ficaria marcada pela promessa de um reforço de relações entre os dois países.

"Enquanto a opinião pública parece dividida sobre se o moderno comportamento português continua colonialista na sua natureza ou sobre se Portugal quer verdadeiramente entrar numa nova área de cooperação, Cavaco Silva, por si mesmo, deixou uma impressão favorável junto dos moçambicanos", considera Chapman.

A embaixada norte-americana considerava que as boas relações entre Portugal e Moçambique criariam uma oportunidade para Washington reforçar a sua cooperação com Lisboa em projetos de apoio ao país africano.

O exemplo dessa cooperação foi um programa de segurança de fronteira, "de alto sucesso", estabelecido em 2008 pelas embaixadas de Portugal e dos Estados Unidos em Maputo.

"Com um pequeno investimento (300 mil dólares) o programa teve resultados concretos" quando guardas que nele participaram "estiveram envolvidos na apreensão de narcóticos, dinheiro e pedras preciosas", refere o encarregado de negócios norte-americano no telegrama divulgado pelo "site Wikileaks" que tem divulgado milhares de documentos confidenciais da diplomacia dos Estados Unido a que teve acesso.

Apesar do "sucesso" do programa, em 2009 foi negado financiamento à parceria, o que levou Chapman a recomendar "para cima" a inversão dessa medida.

"Recomenda-se a continuação do compromisso com os nossos parceiros portugueses para enfrentar o crescimento do narcotráfico", refere o diplomata, adiantando que os portugueses têm sido "parceiros efetivos", devido às suas relações históricas e linguísticas com Moçambique.

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