Estudantes do Superior manifestam-se amanhã em Lisboa

Estudantes do ensino superior de todo o País juntam-se em Lisboa na quinta-feira para protestarem contra os cortes no setor, numa manifestação a que algumas das principais associações académicas do país não vão aderir.

Isso não impede delegações de alunos de várias instituições de todo o País de quererem vir a Lisboa e de estarem em desacordo com a posição "conservadora" das associações académicas, como disse à agência Lusa Luís Monteiro, da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A Federação Académica do Porto (FAP), tal como as associações académicas de Coimbra e de Lisboa, decidiram não aderir à manifestação que partirá do Marquês de Pombal rumo à Assembleia da República.

Juntamente com nove outras organizações do Ensino Superior, pediram na terça-feira uma reunião ao primeiro-ministro, apontando a "parca preocupação" com o apoio social.

Luís Monteiro considerou esta tomada de posição "anedótica", indicando que a própria Federação Académica do Porto já admitiu que esteve "mais de meio ano" à espera de ser chamada por Pedro Passos Coelho para uma reunião que tinha pedido.

O dirigente estudantil afirmou que, apesar da não adesão das associações académicas - uma "decisão conservadora pelo nível de exigência que se pede para recusar este Orçamento de Estado" -, há muitos estudantes que se estão a organizar para virem a Lisboa, não só em Lisboa, Porto e Coimbra, mas também em Braga, Vila Real, Covilhã e Faro.

"A Faculdade de Direito da Universidade do Porto aprovou uma moção de apoio à manifestação e apelo à mobilização", exemplificou, acrescentando que alunos das faculdades de Belas Artes, Engenharia, Arquitetura, das escolas superiores de Educação e da de Música, Artes e Espetáculos do Politécnico do Porto também estarão representadas.

Pela associação de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, André Silva, afirmou também que "a luta deve fazer-se na rua e os estudantes devem ter uma palavra a dizer porque esta questão não é para ser resolvida em gabinetes".

Os estudantes protestam contra o fim do passe sub-23, contra o aumento de propinas e contra a perda de qualidade no ensino superior, acompanhada do "aumento de desistências".

"Verifica-se um aumento da responsabilização dos estudantes, que pagam cada vez mais propinas, enquanto o financiamento através do Orçamento de Estado é cada vez menor", lamentou.

O protesto é organizado pelas associações de estudantes do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território.

As associações de estudantes da ESMAE (Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo -- Porto) e da ESTC (Escola Superior de Teatro e Cinema -- Lisboa) também anunciaram a sua adesão e apelaram à participação dos estudantes contra o "ataque do governo ao ensino superior".

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