Estrangeiros matriculam filhos em escolas internacionais

Os casais bi-nacionais escolhem colégios internacionais para matricular os filhos de forma a manter viva a sua cultura. Esta é uma das estratégias mais usadas quando um dos pais é estrangeiro.

"Numa estratégia de equilíbrio os pais tentam compensar a outra cultura que está em falta e inscrevem os filhos em colégios franceses, ingleses ou espanhóis", explica Sofia Gaspar, investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES). Os dados recolhidos pela especialista são ainda uma amostra exploratória e fazem parte de um estudo europeu que compara os padrões de vida de casais com diferentes nacionalidades oriundos de países da União Europeia. Em comum têm o facto de serem imigrantes com qualificações superiores.

As entrevistas a 60 casais - onde em 20 a mulher é portuguesa e o homem é estrangeiro, 20 em que o homem é português e mulher estrangeira e outros 20 sem portugueses - mostram que é "na educação dada aos filhos que se percebe o domínio cultural". Ao frequentar uma escola da mesma origem que o pai estrangeiro, os casais pretendem "compensar a falta da outra cultura".

Uma atitude que "é fomentada também pelos cônjuges portugueses", aponta Sofia Gaspar. "Os filhos destes casais são bilingues ou até trilingues e todos fazem gala disso". De facto, a aprendizagem das línguas dos pais é a principal forma de manter a cultura viva junto dos filhos que vivem e, muitas vezes nasceram, em Portugal. Desta forma, a língua "é um veículo de transmissão cultural fortíssimo e todos os pais falam nas suas línguas maternas com os filhos".

A investigadora do CIES explica ainda as outras duas estratégias usadas pelos casais mistos na educação dos filhos: uma é assimilação nacional e outra é uma estratégia híbrida. No primeiro caso, os casais "tentam adaptar-se ao país em que vivem ao máximo, quer seja um dos cônjuges português ou não". Os que preferem uma estratégia híbrida acabam por incluir "as três culturas e não há anulação de nenhuma delas. A criança vai assim recolhendo pedaços de cada cultura e constrói a sua própria identidade".

Na maioria dos casos os filhos são bi-nacionais. A excepção foi um dos casais entrevistado por Sofia Gaspar, que decidiu dar "uma identidade homogénea aos filhos", embora sejam os dois estrangeiros. "Ela é alemã e ele é espanhol e decidiram dar a nacionalidade portuguesa aos filhos".

Em comum, estes casais têm o facto de "não quererem anular a sua própria cultura", mantendo contacto com ela através das viagens frequentes que fazem para a sua terra natal. Embora tenham a consciência que os filhos nunca vão ter a mesma identidade cultural. Como disse uma das entrevistadas para o estudo: "o meu filho nunca vai ser grego como eu, apenas vai sê-lo através de mim".

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