Estar com militares no exterior é "ação de solidariedade"

Diplomatas portugueses foram recolher votos dos militares em missões externas para as presidenciais em cinco teatros de guerra

Levar os boletins de voto aos militares destacados no estrangeiro constitui "uma ação de solidariedade" com quem está "a dar o seu melhor ao serviço do país", disse esta quinta-feira o embaixador de Portugal em Abu Dhabi.

"Além do simples cumprimento de uma formalidade", sublinhou Jaime leitão ao DN, essa missão permitiu-lhe dar aos militares em missão no Iraque "a garantia de que não são esquecidos nos momentos importantes da vida nacional".

É a garantia de que não são esquecidos nos momentos importantes da vida nacional

Trata-se de "uma ação de solidariedade para com compatriotas que estão a dar o seu melhor ao serviço do País de onde estão longe - seja no Iraque, no Mali ou no Afeganistão -, trazendo-lhes a garantia de que não são esquecidos nos momentos importantes da vida nacional", enfatizou o embaixador.

Jaime Leitão esteve no Iraque entre os dias 12 e 14 deste mês, tendo viajado por razões de segurança durante a noite e de helicóptero - das forças norte-americanas - entre o aeroporto de Bagdade e o Campo Gran Capitan, da base militar de Besmaya.

Jaime Leitão, citando o comandante dessa Força Nacional Destacada, referiu ainda que a sua presença "foi especialmente apreciada e sentida como um sinal de apoio e uma distinção relativamente aos restantes contingentes" de outros países instalados na base de Besmaya.

O contingente português envolvido na operação "Inherent Resolve", a cargo de uma coligação internacional liderada pelos EUA que combate o Estado Islâmico no Iraque, é formada por 30 militares: 11 oficiais, 16 sargentos e três praças. A sua responsabilidade é formar e treinar os militares iraquianos. Há ainda dois oficiais de ligação colocados em quartéis-generais da força.

Miguel Machado, tenente-coronel paraquedista com experiência de missões de paz no exterior, confirmou ao DN a importância de visitas como as que realizaram este mês os diplomatas enviados ao Iraque, Somália, Kosovo, Mali, Afeganistão e República Centro Africana.

"É muito importante para quem lá está. Quem vê de fora pode achar que é publicidade, mas um diplomata, um ministro, um primeiro-ministro ou um Presidente receberem um relatório é uma coisa, estar lá e falar e ouvir os militares destacados é outra", explicou Miguel Machado.

A título de exemplo sobre a "componente emocional" desse tipo de visitas, o militar lembrou o caso dos "militares a chorar ao ouvir" o governante que, na Bósnia, elogiava o seu esforço e reconhecia os sacrifícios" que faziam ao em prol da paz na Bósnia.

Militares na Bósnia choraram ao ouvir discurso de governante português

Jaime Leitão contou também que "a votação decorreu com toda a normalidade, entrando os eleitores um a um no local onde a mesa de voto foi instalada - o contentor que serve de gabinete do comando do contingente português".

Para o efeito foi colocada "uma divisória atrás da qual cada eleitor" preencheu "com toda a confidencialidade o respetivo boletim", que dobrou em quatro, colocou num sobrescrito branco que depois foi posto dentro de um envelope azul com o respetivo número de eleitor e da freguesia onde está recenseado.

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