"Estamos aqui a investir em pessoas e esse deve ser o maior foco"

A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) recebeu ontem 16 milhões do Banco Europeu de Investimento (BEI), para a construção do novo campus em Carcavelos - que deverá abrir no próximo ano letivo -, ao abrigo do Plano de Investimento para a Europa, com a garantia do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos

No encontro para a assinatura do contrato esteve, além do vice-presidente do BEI, Román Escolano, do diretor da Nova, Daniel Traça, e do presidente da Fundação Alfredo de Sousa, Pedro Santa Clara, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação. Em entrevista ao DN, Carlos Moedas explica a importância deste investimento e porque escolheu associar-se e dar-lhe visibilidade.

O campus da Nova traduz uma mudança na forma como vemos o ensino. Isso foi fundamental para o financiamento do projeto?

O campus da Nova SBE será financiado com 16 milhões de euros pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) através do Plano Juncker. A primeira das 10 prioridades da Comissão europeia é o emprego, o crescimento económico e o investimento. O Plano Juncker tornou-se assim numa fonte adicional de financiamento para a manutenção da excelência das universidades e centros de investigação europeus. A inovação já representa 22% dos projetos financiados pelo Plano Juncker. Este projeto que faz uma forte aposta no ensino, na inovação e na internacionalização enquadra-se assim perfeitamente nos objetivos que perseguimos.

Este projeto junta-se a outros aprovados em Portugal no valor de 1,7 mil milhões, que deverão mobilizar investimentos de cerca de 4,9 mil milhões. Enquanto Comissário Europeu, mas também enquanto português, fico naturalmente muito satisfeito por Portugal ter sabido aproveitar bem estas oportunidades: é o sétimo país que mais beneficiou em termos absolutos; e, em proporção do PIB, é mesmo o segundo!

A localização e organização da Nova SBE poderão também funcionar como fatores de atração de alunos estrangeiros?

Este projeto apresenta características evidentes de diferenciação em relação a outros estabelecimentos de ensino. Através de uma forte componente internacional, consegue atrair estudantes, docentes e empresas, o que é fundamental para o futuro da UE. Ainda esta semana, anunciei mais de 400 bolsas do Conselho Europeu de investigação, financiadas pelo Horizonte 2020, que permite atrair e manter jovens investigadores de excelência na União europeia oriundos de 23 países europeus. Oito deles são portugueses com uma verba de mais de 12 milhões de euros.

Acredito que este projeto proporcione as melhores condições possíveis aos estudantes. É um investimento que terá o seu retorno no reforço do crescimento da UE e na inovação.

A qualidade da Nova SBE tem vindo a ser cada vez mais reconhecida tanto internamente como lá fora. É um exemplo que outras instituições deviam seguir?

Tenho muito orgulho no setor universitário português. É um setor dinâmico e em que Portugal dá cartas a nível europeu. A Nova, mas também outras universidades portuguesas têm feito um percurso ímpar, de aumento da qualidade e da internacionalização. Acredito ainda que destas novas e excelentes instalações sairá a próxima geração de eminentes líderes empresariais de Portugal e da Europa.

Porque quis associar-se ao projeto?

Como comissário europeu entendo ser a minha obrigação dar mais visibilidade ao que a União Europeia faz para os seus cidadãos. Quando vejo um novo campus universitário nascer, sinto-me orgulhoso por ver que a UE contribuiu para isso. É muito gratificante que a UE possa também ser parte desta continuada história de sucesso da Nova e possa estar associada a este marco vital dessa história. Os investimentos no domínio da educação, investigação e inovação abrem caminho para o crescimento e a competitividade.

Mas em que pensamos nós quando falamos de investimentos estratégicos? Pensamos em investimentos que criem empregos duradouros e de qualidade; que gerem crescimento económico; que contribuam para o bem-estar e para a qualidade de vida dos nossos cidadãos. Pensamos em empresas. PME. Fábricas. Mas o que estamos hoje aqui a fazer vai para além de tudo isso. Estamos a investir em pessoas. Esse deve ser o nosso maior investimento. O investimento em Educação. E por isso de tantos projetos e assinaturas em que estive presente, esta tem um significado muito especial.

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