Estado deve exercer vigilância para evitar violência contra idosos

O presidente da Cáritas defende que o Estado deve exercer uma "vigilância muito fina" para prevenir que nenhum idoso seja sujeito a maus-tratos pelos familiares que os retiram dos lares apenas para beneficiar dos seus "parcos rendimentos".

"O problema dos idosos é gravíssimo", afirmou em entrevista à agência Lusa Eugénio Fonseca, explicando que há famílias que ficaram sem proveitos e vão buscar "os parcos rendimentos dos seus idosos para sobreviver".

Muitos acabam por retirar os idosos dos lares. "Não está mal que os fossem buscar para tratar deles, porque o seu espaço natural é na família".

"Mas o que sabemos é que muitos vêm dos lares, até contra a sua própria vontade, e depois não são bem tratados, continuam a viver isolados, sem os cuidados que teriam no lar e os seus filhos aproveitam-se das suas reformas", alertou.

Para Eugénio Fonseca, "é desumano" este comportamento dos filhos, mas "se o fazem é porque também alguém não os apoiou o suficiente".

"Eu não quero acusar essas famílias, embora devessem ter consciência de não ir pelo mais fácil, de ir buscar os idosos aos lares. Deviam era pressionar as autoridades oficiais a criarem as condições de vida para eles e não prejudicarem os seus mais velhos".

Para travar estas situações, "o Estado deve exercer uma vigilância muito fina para que nenhum idoso, além de ter que despender dos pequenos rendimentos que tem, ainda ser sujeito a maus tratos para poder dar algumas condições de vida aos seus familiares".

Há outras situações que também afetam os idosos. Além de não haver respostas institucionais para todos os que necessitam, aumentou a insegurança.

"Muitos deles estão a ser vítimas de logros e assaltos, vivem sozinhos, totalmente desprotegidos", lamentou.

Também as crianças estão a ser vítimas da crise, registando-se um grande aumento da pobreza infantil em Portugal.

"A pobreza nas crianças reflete-se muito na rentabilidade escolar" e na sua convivência, porque deixam de frequentar os ATL e os jardins-de-infância.

Por outro lado, "não se pode admitir" que mães estejam a dar leite de vaca a bebés por falta de recursos e a existência de casos de crianças com fome nas escolas, uma situação que considera "um crime" de desrespeito dos direitos humanos, disse.

"O problema é que não se sabe quem irá ser responsabilizado por isso e, neste caso, não são os pais que são negligentes", disse, acrescentando: "Se muitas vezes os pais não são capazes de dizer aos professores que os filhos vão sem comer é por causa da chamada pobreza envergonhada", que existe devido ao "estigma que se criou sobre os pobres".

Para o responsável, o Estado tem de ter "força diante da troika" para "exigir uma fatia maior para a ação social".

"O Governo criou as cantinas sociais mas são em número reduzido para a multiplicidade das necessidades".

Sublinhou ainda que, "se não fossem os portugueses com a sua generosidade, o drama do país seria muito maior".

"Não sei se alguém morreu mesmo de fome em Portugal, mas se não tivesse sido a generosidade, através de muitas iniciativas de solidariedade (...), havia gente que morria de fome, porque quem tem estado a sustentar a satisfação das necessidades primárias das pessoas tem sido, até agora, a sociedade civil".

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