Esquerda nega boleia a Costa e fica na beira da estrada

Jerónimo distancia-se de primeiro-ministro sobre oportunidades para professores. Catarina diz que vê similitude com Passos

A Estrada da Beira não é o mesmo que a beira da estrada, mas nas afirmações de António Costa sobre emigração de professores, os bloquistas e os comunistas preferem ficar na berma do que seguirem a estrada do primeiro-ministro.

A história repete-se: António Costa sugeriu que professores possam emigrar para França - como Passos Coelho o fez em 2011 - e desta vez foi a direita que se indignou, mais pela falta de indignação da esquerda do que pela frase em si.

O primeiro-ministro reagiu ontem na sua conta no Twitter: "A Estrada da Beira e a beira da estrada não são a mesma coisa, pois não? Pois... Eu também não apelei à emigração!" - e juntou uma transcrição das suas palavras em Paris.

Longe da indignação de 2011, Jerónimo de Sousa, primeiro, e Catarina Martins, depois, vieram dizer que não gostaram do que ouviram. Para o secretário-geral do PCP, "não é a emigração que resolve o problema dos professores, são medidas concretas cá. Tendo em conta as necessidades da escola pública, há possibilidade de colocar professores no seu país", defendeu em Braga, citado pela Lusa.

Ao contrário de Costa, o líder do PCP notou que as beiras se confundem: "Não acompanhamos essa declaração e esse convite subjacente nessa declaração do primeiro-ministro, tal como não acompanhámos há quatro anos." Em 2011, o secretário de Estado do Desporto, Alexandre Mestre, convidou os jovens desempregados a saírem da sua "zona de conforto". Depois seria Passos a apontar a emigração como "saída" para os professores.

No domingo, Costa comentou o anúncio do governo de Paris de que vai alargar o português nas escolas francesas: "Isto é obviamente muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, hoje não têm trabalho em Portugal e que podem encontrar aqui."

A porta-voz do BE deixou um forte reparo a estas frases. "Manter-se o uso do argumento demográfico faz uma similitude que preferíamos que não acontecesse e espero bem que o primeiro-ministro vá consultar os números sobre a redução de número de alunos e professores."

Catarina Martins insistiu que este é o "maior erro": "Tentar juntar o problema demográfico ao problema do crescente desemprego de professores." Para concluir que "esse é um argumento que não colhe com a realidade: nos últimos anos o número de alunos em Portugal desceu 6% e o de professores em Portugal desceu 20%. Por isso, o desemprego dos professores não é uma questão demográfica mas é sim resultado de uma escolha política".

Marcelo defende Costa

Quem saiu em defesa de Costa foi o Presidente da República. "Eu, por acaso, estava lá [em Paris] quando isso foi dito e não atribuí o significado que foi atribuído", disse Marcelo Rebelo de Sousa. "O presidente da República francês avançou com uma ideia, que me pareceu muito feliz, que é aumentar substancialmente o ensino do português em França." Contando com "todos aqueles portugueses", nomeadamente professores que, lá mesmo, estejam disponíveis para esse efeito. Não quer dizer que não vão alguns de Portugal", completou.

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