Especialistas exploram cratera de Marvão

Especialistas da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) efetuaram, nos últimos dias, um "levantamento preliminar subterrâneo" da cratera que surgiu numa herdade em Marvão, no Alto Alentejo, para que cientistas possam estudar o fenómeno geológico.

O espeleólogo da LPN, Pedro Pinto, explicou hoje à agência Lusa que a sua equipa esteve no local para elaborar um "levantamento preliminar subterrâneo" com o objetivo de "produzir um levantamento topográfico escrito da cavidade".

O Centro de Estudos e Atividades Especiais da LPN vai entregar nos "próximos dias" um relatório, com os resultados da pesquisa, à Câmara de Marvão e à Universidade de Évora (UE) para que cientistas possam analisar o fenómeno geológico, que ocorreu no dia 05 de abril, numa propriedade privada, junto à aldeia de Porto da Espada.

Pedro Pinto explicou que, quando se deslocaram ao local, as condições de segurança "não eram as melhores", devido à instabilidade do terreno, tendo os especialistas da LPN recolhido, durante os trabalhos, amostras para estudos posteriores, no sentido de apurar, por exemplo, se existem ou não espécies vivas na parte subterrânea.

"A cavidade, em baixo, envolve-se numa fenda preenchida com água. Do solo até ao nível da água, o que nós medimos foi cerca de 41 metros, embora não tenhamos conseguido saber a profundidade do nível da água", relatou.

De acordo com Pedro Pinto, é "expectável" que, em "certas zonas", a profundidade do nível da água seja "superior a dois metros", tendo a cratera cerca de 17 metros de diâmetro à superfície.

"Nós temos interesse em continuar a explorar a cavidade, mas por questões de segurança ainda não avançamos e, depois do relatório entregue, esperamos da parte dos cientistas da UE a interpretação dos dados para dizer quais são as zonas onde ainda há perigo de haver novos abatimentos", explicou.

O mesmo espeleólogo previu que, quando o nível da água baixar, "poderá haver condições" para progredir no terreno, situação que só deverá ocorrer "durante o verão".

"Aquele fenómeno acontece nas zonas calcárias, claro que com esta dimensão é um fenómeno raro. Nas últimas décadas, não há registos em Portugal de uma coisa destas com esta dimensão", observou.

Na propriedade onde o fenómeno ocorreu encontra-se também uma outra cratera de menor dimensão, tendo sido criado em redor de toda a zona um perímetro de segurança pelas autoridades.

O geólogo Vítor Lamberto explicou à Lusa que a zona de Marvão possui grutas e o tipo de rocha existente (calcário) tem tendência a "dissolver-se", formando as grutas.

"Aqui em Marvão, tivemos um ano de muita chuva. A água, nestas estruturas, infiltra-se, circula no interior e, nos calcários, circula a grandes velocidades, ou seja, o impacto que pode causar é maior", explicou.

Com a existência de rios subterrâneos, onde a água circula a grandes profundidades e velocidades e perante um ano de muita chuva no Alentejo, Vítor Lamberto indicou que esses rios "não conseguem dar vazão".

"Quando a água chega ao topo da gruta lava o material acumulado e esse material, arrastado pela água, abate isto tudo. Por isso, a dimensão que isto tem", referiu.

Com um perímetro de segurança criado e com elementos da GNR no local, a zona tem sido alvo de visitas por parte de populares que não resistem à curiosidade de ver "in loco" o fenómeno geológico.

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