"Escrevi 'casa comigo' em todas as páginas de um livro"

Filipa assustou-se com o pedido de casamento de Marco, mas disse que sim. No dia 12, vão manter viva uma "tradição de bairro"

Quando, em 2006, Marco Fernandes pediu Filipa Martins em casamento, a lisboeta ficou "assustada". Não porque não se quisesse casar com o homem com quem partilhava casa desde 2004, mas sim pela originalidade do pedido. "Uma noite, peguei num livro com 50 páginas e escrevi "casa comigo" em todas", descreve o noivo, com um sorriso envergonhado.

A boda vai acontecer sete anos depois, na véspera do feriado alfacinha... e do aniversário do desempregado de 35 anos. "Nós já estávamos a pensar em casar", começa por dizer Filipa, antes de o companheiro reconhecer que, se no próximo dia 12 não se unissem por Santo António, "se calhar" não "dariam o nó" este ano, oficializando uma relação que começou a ganhar forma há uma década.

"Nós vivíamos no mesmo bairro, em Campolide, só que nunca tínhamos falado. E, em 2003, começámos a parar no mesmo café e ela ia ver-me a jogar à bola", conta Marco, que já perdeu a conta ao número de amigos e amigas que se casaram sob a bênção do santo casamenteiro. "É quase uma tradição do bairro", explica, bem-disposta, a empregada de limpeza. "Estão todos contentes", acrescenta.

Não é, por isso, de estranhar que o casal não esteja surpreendido com as experiências que tem vivido ao longo do último mês, nem dê importância ao facto de o enlace acontecer nos Paços do Concelho, pelo civil. "É igual. A organização não faz distinção [relativamente ao religioso]", atira a noiva de 29 anos, esperançosa, tal como o namorado, num futuro "mais feliz ainda" do que o presente, do qual fazem parte dois filhos em comum - uma menina de oito anos e um rapaz de cinco.

O desejo é semelhante ao que expressam para o grande dia. "Vai ser inesquecível", antevê Filipa. Marco concorda, com um aceno de cabeça.

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