Equipas de voluntários dão comida quente a 26 sem-abrigo

Dez equipas de voluntários distribuem, todos os fins de semana, comida quente a 26 sem-abrigo, que vivem em caixotes ou edifícios abandonados da cidade de Viseu, disse uma das diretoras da Associação Social, Cultural e Espiritualista de Viseu.

Diana Costeira explicou à Agência Lusa que a ajuda alimentar está a ser prestada por vários voluntários do grupo Colher de Esperança, desde junho de 2012, altura em que identificaram 11 sem-abrigo na cidade de Viseu.

"Uma amiga minha, que é membro da associação nacional 'Bora Lá', perguntou-me se sabia se Viseu tinha sem-abrigo. Depois de uma primeira volta pelas ruas da cidade, identificámos logo 11 pessoas", revelou.

De acordo com Diana Costeira, "dormiam em casas abandonadas, tanto na zona da Sé de Viseu, como junto à Rua das Bocas".

A realidade "encontrava-se encoberta" e só com "uma visita mais atenta" a determinadas zonas da cidade foi possível descobrir algumas vidas assombradas pela miséria.

"Deparámo-nos com um homem a dormir debaixo de uma das pontes junto ao centro comercial Forum. Passava o dia na Central de Camionagem, onde se abrigava do frio até fechar", acrescenta.

A partir desse primeiro contacto, passaram a garantir refeições quentes aos sábados e domingos.

"Inicialmente, constituímos cinco grupos de 14 pessoas e entregávamos as refeições quentes apenas num dos dias do fim de semana. Agora, são 10 grupos de seis pessoas, que entregam as refeições aos sábados e domingos", descreve.

Atualmente, "são 26 os sem-abrigo" a quem entregam sopa, prato principal, fruta ou sobremesa e ainda um "kit" com duas sandes para o dia seguinte, com fruta, bolachas, água e leite.

"Uns vivem completamente na rua, em caixas de madeira ou em casotas furadas de madeira. Outros vivem em casas abandonadas, sem água e luz", acrescenta.

Num edifício abandonado dos arredores da cidade vive mesmo uma família inteira: marido, mulher e um filho maior.

"Os 26 sem-abrigo que ajudamos são quase todos toxicodependentes, alcoólicos ou pessoas com problemas de foro psiquiátrico", informou ainda a responsável.

Para além da comida, são também distribuídas alguns "kits" de higiene, roupas e agasalhos.

"Toda a roupa que tenho vestido foi-me dada por eles (voluntários). É uma ajuda muito grande, esta que nos trazem", considera Luciano Sabeu, de 58 anos.

A ajuda começou a chegar há cerca de quatro meses e ilumina o olhar de um homem que mora na rua. "Hoje estou aqui, amanhã estou noutro sítio, é assim...", revelou.

Adelino Pereira e Alberto Jesus intitulam-se compadres e partilham uma casota de madeira, depois de também já terem vivido numa garagem.

"Antigamente, era vendedor ambulante, mas zanguei-me com os meus pais há 10 anos e acabei assim. Queria que me ajudassem a alugar um quartinho que fosse baratinho para ter algum conforto", referiu Adelino Pereira.

Enquanto o seu "sonho" não se concretiza, a ajuda que chega pela mão dos voluntários "representa tudo".

O ucraniano Slava Borodenko vive em Portugal há 12 anos e ficou sem trabalho há quase dois. "O patrão não pagava e nem tive direito a subsídio de desemprego. Vivia com o rendimento mínimo, que me cortaram este mês", lamentou.

A mulher e a filha estão na Rússia e gostaria de regressar, mas "e o dinheiro?".

Para além da ajuda aos sem-abrigo, os voluntários ligados à instituição prestam ainda ajuda alimentar a cerca de 60 famílias carenciadas do distrito de Viseu.

"No final de 2012, ajudávamos 42 famílias, mas atualmente já são 60", concluiu Diana Costeira.

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