Época de saldos começa em clima de pessimismo

Num ano em que as vendas no período do Natal baixaram,em comparação com 2011, a época de saldos pode representar para muitos lojistas uma última possibilidade de se manterem abertos ou, pura e simplesmente, de liquidarem 'stocks', considera o presidente da Confederação do Comércio Português.

Começou hoje a época de saldos, num ano em que os lojistas dizem que as vendas no período do Natal baixaram, relativamente a 2011, e garantem que conhecem muitas lojas que já fecharam.

Na Praça do Rossio, em plena baixa lisboeta, entre o corre-corre de portugueses e turistas, as montras das lojas tentam cativar clientes: letras grandes a anunciar grandes saldos de 80 e até de 90%.

"Na Rua dos Fanqueiros, só este ano, fecharam 37 lojas", garante Gil, lojista no Rossio, em declarações à agência Lusa, acrescentando que "as coisas têm sido bastante difíceis, notando-se a falta dos subsídios".

"Hoje em dia, somos obrigados a estar em promoções todo o ano. Antes havia uma euforia nas pessoas quando iam aos saldos, agora não. Nota-se mesmo que há dificuldade, as pessoas entram só para ver", continua.

Este lojista vaticina ainda que as lojas que não estejam nas zonas mais visitadas pelos turistas irão enfrentar maiores dificuldades.

"Para as lojas que não estão bem situadas, que não possam equilibrar a situação com os estrangeiros, vai ser muito pior, pois somos suportados por eles e se eles nos falham vai ser muito mau", afirma.

"As vendas no período do Natal baixaram, relativamente a 2011, até porque este ano as pessoas não receberam subsídio de Natal, cortaram nas prendas, compram mais para elas do que em prendas para oferecer, refere a lojista Paula Lourenço.

Madalena Monteiro e Gonçalo têm em comum terem escolhido o primeiro dia da época de saldos para fazerem as suas compras.

Madalena Monteiro afirma que ficou à espera que os preços baixassem e Gonçalo diz que "vale a pena aproveitar os bons descontos nesta altura do ano" e acrescenta que vai "mesmo comprar mais do que no ano passado", porque devido à crise tudo o que necessita vai ser comprado nos saldos, cuja época termina a 28 de fevereiro.

Manuela Santos desceu a Rua do Carmo, viu as montras e disse que os preços "são muito aliciantes, mas ao mesmo tempo é triste porque saldos tão altos anteveem o fecho de muitas lojas".

"Temos de pensar duas vezes antes de comprar. Há coisas que são necessárias, outras que não são e lá por ser saldo temos de pensar no futuro", defende.

Em declarações à agência Lusa na quinta-feira, o presidente da Confederação do Comércio de Portugal (CCP) advogou que, em muitos casos, esta não será época de saldos, mas de liquidação de 'stocks'.

"A nossa expectativa é que, face às perspetivas de negócio, vai haver bastantes unidades, quer no comércio, quer nos serviços, que vão aproveitar o encerramento das contas do ano para encerrar a atividade", afirmou João Vieira Lopes.

Prevendo que os casos de liquidação "surjam em maior quantidade do que em anos anteriores", Vieira Lopes destaca o cada vez maior número de "estabelecimentos encerrados para arrendar" que já hoje se veem por todo o país.

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