Reforma da Justiça: "Levarei até ao limite dos meus poderes o magistério de influência"

Entrevista ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

Sr. Presidente, vamos olhar para a Justiça. O Sr. Presidente pediu, na abertura do ano judicial, um pacto para a Justiça que tinha uma novidade que era a de que deviam ser os operadores da Justiça, eles próprios, a entenderem-se primeiro sobre o que é necessário fazer para reformar a Justiça. Até agora, pelo que se conhece publicamente, o único entendimento que houve...

... foi sobre custas processuais.

O Sr. Presidente terá informação mais fidedigna, o que pediu aos operadores da Justiça está a avançar a bom ritmo?

Eu espero receber a seguir ao verão essas entidades representativas de todos quantos têm uma relação com a Justiça portuguesa, para ver se antes da abertura do ano judicial, que este ano será no início de janeiro, é possível ou não dar passos que se traduzam em iniciativas legislativas. Não quero ser aqui nem muito otimista nem menos otimista, mas continuo a pensar que seria muito positivo que houvesse passos dados por acordo entre entidades tão diversas, mas que têm o mesmo objetivo, que é o objetivo de uma melhor Justiça em Portugal, que fosse possível haver resultados práticos e que eles pudessem chegar ao Parlamento e que depois os partidos pudessem debater oportunamente durante a próxima legislatura.

Sendo este um setor tão crucial para o desenvolvimento do país, se chegarmos a essa abertura do ano judicial em janeiro e não tiver avançado nada, o Sr. Presidente...

Veremos, veremos.

... vai ter de dar um puxão de orelhas?

Não, não, o Presidente da República tem um magistério de influência e portanto deve levar até ao limite dos seus poderes o magistério de influência e eu tentarei levá-lo até ao limite dos meus poderes.

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