"Temos uma tensão saudável com a União Europeia"

Pedro Nuno Santos, pivot diário das negociações dentro da plataforma de esquerda, nega que o europeísmo esteja em perda no PS

A direção do partido precisava deste congresso como ato legitimidor da plataforma de esquerda na qual a governação assenta?

????Não. Nós já estamos noutra há muito tempo. Esta solução foi legitimada nos órgãos do partido, comissão política nacional e comissão nacional. Era um assunto mais do que encerrado.

Mas sentiu que a solução de esquerda saiu reforçada ?

Este congresso mostrou um apoio esmagador do partido ao que estamos a fazer. É um partido reconciliado e unido à volta da solução de governação que lideramos.

Ouvem-se cada vez mais discursos, mesmo no topo da hierarquia do partido, muito críticos em relação à Europa. Digamos que o europeísmo é uma força em perda no PS.

Discordo desse pressuposto. O PS não é menos europeísta, hoje. O PS tem bem consciência da importância e do destino de Portugal no quadro europeu e da importância da integração europeia e da participação no processo de construção europeia. Agora, nós temos também a capacidade de olhar de forma crítica para a forma como a UE reagiu às dificuldades de crescimento e a muitos outros problemas que infelizmente vamos sofrendo na Europa. Isso exige da parte do PS esta visão crítica. Temos uma tensão saudável com a União Europeia. Uma tensão saudável com os nossos parceiros. Estamos comprometidos com este projeto mas queremos que ele responda às dificuldades e não acrescente dificuldade. Isto é ser europeísta. Ser europeísta é exigir da Europa a capacidade de evoluir e resolver as suas fragilidades.

A direção estabeleceu que o objetivo do PS nas autárquicas é manter o maior número de presidências de câmara e o maior número de presidências de juntas de freguesia, mantendo assim a liderança da ANMP e da ANAFRE. Que conclusões serão tiradas se este objetivo não for alcançado?

Vamos estar focadíssimos em ganhar as eleições autárquicas e sobre isso nada tenho a acrescentar.

O PS apoiará no Porto a candidatura independente de Rui Moreira.

Posso dizer que essa seria a consequência natural depois de durante quatro anos o PS ter governado o Porto com Rui Moreira. Estamos comprometidos com essa governação e portanto seria natural que isso acontecesse.

Foi líder da JS. Houve neste congresso um ex-líder da JS, Sérgio Sousa Pinto, que aceitou integrar a Comissão Nacional do PS depois de há sete meses ter rompido com a direção por causa dos acordos à esquerda. Como é que viu isso?

Com naturalidade, num partido onde a opinião diferente é importante para a vida do partido. Sérgio Sousa Pinto é um dos melhores quadros do PS, com uma vivíssima inteligência e por isso o seu pensamento, a sua reflexão e até a sua crítica são importantes para a vida do PS.

Pode dizer-se que este congresso marca uma espécie de novo ciclo político, de lançamento de políticas de médio e longo prazo visando o crescimento da economia, depois de um primeiro tempo, de curto prazo, para reposição de rendimentos?

Nós tivemos sempre uma estratégia a dois tempos: de resposta de curto prazo a dificuldades económicas - e ainda bem que o fizemos porque foi o consumo privado a puxar pelo crescimento que tivemos até agora. Mas também tivemos uma estratégia de médio e longo prazo, de modernização da nossa economia: aposta nas qualificações, investimento ciência e na investigação; na transferência de conhecimento para a economia. Sempre quisemos atuar no curto prazo e no médio/longo prazo.

E este congresso marcou uma transição de uma coisa para a outra?

Exatamente.

E que balanço geral faz?

Foi um belíssimo congresso. Participado e de celebração daquilo que estamos a fazer neste momento no país. O PS é um partido que está contente claramente com a sua obra mas este também foi um congresso onde se discutiu o futuro e onde se projetaram os novos desafios. O discurso de encerramento de António Costa é já um discurso a olhar para a frente e para aquilo que este governo ainda tem para dar. Há muita gente que às vezes duvida das razões da existência deste governo, há até quem ache que não governamos e que vamos fazendo aquilo que é possível para nos mantermos no poder. Estes seis meses mostram bem aquilo que já foi conseguido e o discurso de encerramento mostrou aquilo que este governo tem para dar.

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