"Mais de 60% morrem no hospital. Devia ser ao contrário"

Bárbara Gomes, investigadora do King's College e do Instituto de Saúde Pública, diz que apenas 17,5% do país tem cuidados paliativos domiciliários

Integra o projeto Dínamo, que tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e que tem incentivado os cuidados paliativos domiciliários. Como avalia a situação atual?

Diria que é a área com maior carência dentro dos cuidados paliativos. O que vemos é que apenas 17,5% do país tem respostas nesta área, que a região Centro é um caso gritante pela ausência de equipas. O Porto é mais bem servido, com cinco equipas, mas mesmo assim precisava do dobro.

Quais as necessidades atuais?

Falamos de uma equipa por cem mil habitantes, o que significa que precisaríamos de 105 equipas, cinco vezes mais do que as que temos atualmente. Nos hospitais, apesar do incumprimento, a lei já veio melhorar a situação.

Nos estudos que foram desenvolvidos neste projeto, é referido o peso das mortes nos hospitais. Como foi essa evolução?

Concluímos que desde 1988 até 2010 houve um crescimento das mortes nos hospitais de 45% para 62%. E se continuarmos a evoluir desta forma, três em cada quatro óbitos serão nos hospitais em 2030, o que é completamente contrário às preferências dos portugueses. Num outro estudo em que participei verificou-se que metade dos portugueses preferem morrer em casa. No estudo Prisma, as pessoas também disseram que privilegiavam um fim de vida com qualidade, mais do que uma vida longa.

Que apoio dá a fundação na área?

Desde 2011 tem apostado no desenvolvimento da capacidade académica nesta área e em estudos como o que estamos a fazer com doentes e familiares tratados por equipas do Norte. A fundação já apoiou, financiando a formação de pessoas, o lançamento de várias equipas domiciliárias, estando ainda cinco a ser apoiadas.

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Henrique Burnay

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.