Entrevista de Sócrates não foi pedida nem autorizada pelos serviços prisionais

Esta foi a sexta intervenção pública do ex-primeiro-ministro a partir da prisão.

A entrevista de José Sócrates à SIC, a segunda concedida pelo ex-primeiro-ministro desde que está detido no Estabelecimento Prisional de Évora, não foi pedida pela estação televisiva nem autorizada pela Direção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

Fonte da DGRSP disse hoje à agência Lusa que "não autorizou nenhuma entrevista à SIC porque também não houve nenhum pedido" apresentado.

A entrevista à SIC, destaque do Jornal da Noite, é a segunda de José Sócrates a uma estação de televisão, depois de a TVI ter divulgado as respostas do ex-primeiro-ministro a seis perguntas, a 04 de janeiro.

Sócrates, impedido pela DGRSP de conceder uma entrevista ao Expresso em novembro do ano passado, justificou que respondeu às perguntas da TVI "em legítima defesa", contra "a sistemática e criminosa violação do segredo de justiça".

Pedro Dellile, advogado de José Sócrates, disse na ocasião que o ex-governante apenas respondeu a perguntas por escrito e garantiu aos jornalistas que José Sócrates "nunca foi impedido" de dar entrevistas e que apenas foi formulado um pedido, porém sem resposta.

A agência Lusa questionou a Procuradoria-Geral da República sobre o assunto e ainda não obteve uma resposta.

Esta é a sexta vez que José Sócrates fala a partir da prisão.

As primeiras declarações de José Sócrates depois de detido no Estabelecimento Prisional de Évora resultam de uma carta enviada ao Público e à TSF. Nessa carta, que ditou ao seu advogado, considerou "falsas, absurdas e infundamentadas" as suspeitas criminais pelas quais foi detido e classificou a sua detenção de "humilhação gratuita".

Mais tarde falaria ao Expresso, por telefone, numa curtíssima declaração, recusando-se a responder a perguntas, que disse responder mais tarde, em que defendeu que "só deixa de ser livre quem perde a dignidade".

É no contexto de uma reportagem da RTP que surge a terceira comunicação de Sócrates a partir da prisão. Foi numa carta de duas páginas, mais uma vez ditada ao seu advogado, em que o ex-primeiro-ministro dá extensas explicações sobre o seu apartamento em Paris. Negou que o apartamento onde viveu em Paris fosse seu, explicando que lhe foi emprestado pelo seu amigo Carlos Santos Silva.

A quarta comunicação de Sócrates é um documento manuscrito entregue ao Diário de Notícias.

Nesse documento, José Sócrates fala num sistema que "vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto".

A quinta vez que falou depois de preso foi numa entrevista à TVI, em que o ex-primeiro-ministro justificou estar a responder a perguntas da TVI por "legítima defesa contra os crimes de violação do segredo de justiça" e "contra um poder obscuro".

Indiciado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, José Sócrates foi detido a 21 de novembro, no aeroporto de Lisboa, proveniente de Paris.

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