Ensino volta a ter dois ministérios após quatro anos de fusão

Ministro novo, vindo da investigação, vai mandar na 5 de outubro. Ao superior regressa antigo braço direito de Mariano Gago

A separação da educação básica e secundária do Ensino Superior e da Ciência - uma das promessas eleitorais do PS - é uma opção que garante à partida uma boa dose inicial de simpatia ao governo de António Costa, em áreas que tradicionalmente geram muita contestação aos governos.

A fusão, sob a batuta de Nuno Crato, de todo o ensino, do pré-escolar ao pós-graduado, acrescida da pasta da Ciência, contribuiu para o desgaste da imagem do anterior governo, devido a episódios como a redistribuição das verbas para a investigação, na sequência de uma muito contestada avaliação externa das unidades de investigação, a cativação de verbas das universidades e politécnicos, a reorganização curricular e os problemas na contratação de professores e, ainda, de uma forma geral, os pesados cortes orçamentais e as reduções salariais na administração pública.

Na Educação, o nome de Tiago Brandão Rodrigues - recentemente eleito deputado depois de ter aceite concorrer como cabeça de lista do PS às legislativas, por Viana do Castelo - é talvez uma das maiores surpresas do novo elenco governativo.

Com 38 anos, será o mais novo ministro do governo e um dos mais novos da história. Mas é principalmente pelo seu percurso até ao momento - feito sobretudo fora do país, nomeadamente na Universidade de Cambridge, e centrado na investigação na área do cancro - que o seu nome gera inevitavelmente um grande ponto de interrogação na comunidade educativa.

Nuno Crato também era um independente e um académico. Mas presidia há vários anos à Sociedade Portuguesa de Matemática e defendia há muito, no espaço público, uma ideologia educativa que, de resto, quis aplicar quando chegou à Avenida 5 de Outubro.

Do novo ministro não são conhecidas quaisquer posições em matéria de educação. Mas é filho de professores primários, de Paredes de Coura. Começou a viver fora de casa logo aos 14 anos, para poder estudar numa grande cidade. E construiu um percurso fora do país que lhe poderá dar "imunidade" face após diferentes grupos de pressão da área que vai tutelar.

Se isso bastará para gerir a "máquina" do ministério, o maior empregador do país, com mais de um milhão de alunos à sua guarda, é uma pergunta que começará a ser respondida pelas escolhas que fizer. Desde logo, os secretários de Estado que o irão apoiar.

O legado de Mariano Gago

Numa posição quase oposta está Manuel Heitor, professor e coordenador de um centro de investigação do Instituto Superior Técnico, que regressa ao governo com o currículo de ter sido secretário de Estado do Ensino Superior de um dos mais consensuais ministros da história da democracia: Mariano Gago.

Heitor acompanhou Mariano Gago (que morreu este ano), entre 2005 e 2011, numa transformação sem precedentes no ensino superior e na quantidade e qualidade da ciência produzida no país. E o Sindicato Nacional do Ensino Superior, SNEsup, reconheceu ontem o seu papel no processo, "congratulando-se" com a escolha.

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