Enfermeiros obstetras mantêm ameaça de parar blocos de parto

Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia diz que sem compromisso do ministério deixam de exercer funções de especialistas a partir das 8.00 de segunda-feira

Bruno Reis, representante do Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, garante que vão manter a sua posição de a partir das 8.00 de segunda-feira deixarem de exercer as funções de especialistas até que o Ministério da Saúde responda às reivindicações que passam pelo reconhecimento da especialização e respetivo aumento na remuneração.

O ministério emitiu esta quinta-feira um comunicado afirmando que considera ilegal e ilegitimo esta recusa e que vai pedir um parecer urgente ao Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República.

Em reação, Bruno Reis afirma que o ministério sabe da tomada de posição dos enfermeiros especialistas há mais de um mês. "Sabemos das consequências que a nossa paragem pode ter. O Ministério da Saúde não quis reunir com a Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros [que junta dois dos três sindicatos] que pediu uma reunião urgente há 15 dias", diz, referindo-se ao facto de apenas os enfermeiros especialistas de obstetrícia poderem estar nos blocos de parto a prestar cuidados à grávida e ao bebé. Sem a presença destes, adianta, não está garantida a segurança, levando ao encerramento dos blocos de parto.

"Estranho este pedido de parecer. Nós vamos continuar a ser enfermeiros generalistas, não vamos é desempenhar atividade especializada porque não foi para isso que fomos contratados. O título de especialista é nosso e podemos retirá-lo da nossa cédula se quisermos", afirma. As especialidades na área de enfermagem são pagas pelos próprios e feitas em ambiente universitário com estágios práticos nos hospitais e centros de saúde.

Bruno Reis reafirma que estão disponíveis para uma reunião com o Ministério da Saúde, a qualquer hora e em qualquer dia. "Se o Ministério quiser reunir-se connosco às 20.00 de domingo, vamos reunir. Agora, se nada acontecer, às 8.00 do dia 3 iniciaremos o protesto."

O DN tentou obter uma reação da bastonária dos enfermeiros, mas sem sucesso até ao momento.

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