Eleições ao ritmo do OE 2018 e do futuro dos líderes

A corrida para as eleições de 1 de outubro arranca hoje. António Costa, Passos Coelho, Assunção Cristas, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa estão na estrada. Mas não só à conquista de autarquias

As autárquicas escapam à mera lógica do ajuste de contas do país com o governo ou com a prestação dos partidos a nível nacional. Mas lá que dão sinais do contentamento ou descontentamento popular dão. Até porque os líderes partidários fazem-se à estrada no apoio aos seus candidatos mas aproveitam a boleia para falar ao país dos pequenos e grandes temas nacionais. Até ao dia 1 de outubro, numa campanha que começa hoje oficialmente, vamos sobretudo assistir ao esgrimir de muitos argumentos e acusações em torno do Orçamento do Estado para 2018. Porque da vida das comunidades, que se decidem nestas eleições, só mesmo dentro de cada uma das próprias portas se discutirá.

António Costa, líder do PS, parte para a estrada em vantagem. Duplamente: a governação está de feição, apesar de toda a pressão da esquerda para que o OE seja bem mais generoso, e vai com o embalo de um maior número de câmaras municipais conquistadas em 2013. Entre as 308 câmaras, ganhou 150 delas (no Funchal em coligação), contra 106 do PSD (20 em coligação), a CDU (coligação PEV e PCP) com 34 e o CDS cinco (quatro novas). O BE perdeu a única câmara que tinha, a de Salvaterra de Magos, para o PS.

Mas o secretário-geral do PS também vai sofrer durante estes 12 dias de campanha o desgaste das reivindicações e dos ataques políticos, mesmo dos apoiantes do governo, que têm obrigatoriamente de se demarcar num período eleitoral em que eles próprios lutam por manter, consolidar ou ampliar a sua representação no país.

Jerónimo de Sousa, líder comunista, centrará a campanha nos feudos da CDU, mais na Grande Lisboa e no Sul, para garantir que o seu partido continua a ter uma forte representação a nível autárquico. Essa representação que falta à força liderada por Catarina Martins e que, por isso, a põe a falar mais sobre os problemas nacionais do que a abordar os locais. A líder bloquista vai certamente centrar muito o seu apelo ao voto no que o BE reivindica para o OE do próximo ano. No ínterim, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins irão pôr reticências quanto ao futuro da geringonça. Demarcação política oblige.

A líder do CDS andará muito por Lisboa, onde é candidata. A partir da capital, Assunção Cristas procurará várias coisas: obter um bom resultado, se possível melhor do que o de Paulo Portas em 2001, consolidar a sua liderança e, claro, manter as cinco câmaras centristas (Ponte de Lima, Velas, Santana, Albergaria-a-Velha e Vale de Cambra).

Pedro Passos Coelho é o líder com a vida menos facilitada e está na posição diametralmente oposta a António Costa, com a desvantagem de também ir sofrer ataques de toda a esquerda. O resultado de Teresa Leal Coelho em Lisboa vai pesar no julgamento que o PSD vai fazer da sua liderança na oposição. E Passos fará uma campanha também a pensar na agitação do seu partido no pós-1 de outubro.

Ontem, foi a vez de o líder social-democrata recuperar as palavras do ex-presidente da República Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD, quando este disse que "a realidade acaba por derrotar sempre a ideologia". Na apresentação da candidatura de Nuno Gonçalves (apoiado por PSD e CDS-PP) à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Passos disse que o governo demorou "duas semanas a dar-lhe razão". Apontou como exemplos as afirmações do ministro Pedro Marques de que não há folga, do ministro das Finanças que chamou a atenção para as metas orçamentais e do próprio primeiro-ministro que, em entrevista ao DN, disse ser necessário prosseguir o caminho "com equilíbrio". Num comentário à mesma entrevista, numa ação de campanha em Santarém, Catarina Martins mandou um recado a António Costa, ao considerar que a execução orçamental de 2016 mostra que era possível "ter ido mais longe" em setores essenciais.

Jerónimo de Sousa passou ao lado das críticas ao governo, mas voltou à tecla do OE 2018. O líder comunista disse que vai bater-se pela extensão da gratuitidade dos manuais escolares até ao 9.º ano.

António Costa, imune a críticas e a reivindicações, prometeu ontem em Trancoso que vai começar a reduzir a dívida pública no próximo mês.

Com Lusa

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