Edgar Silva no "cavaquistão". Um abraço forte e o apoio de um autarca PSD

Peugeot/Citroen. "Aqui dentro sofre-se muito", denunciou coordenador da comissão de trabalhadores, um presidente de junta eleito pelos sociais-democratas, que deixou críticas a Cavaco Silva

Começou timidamente a ação de campanha à porta das instalações da Peugeot / Citroen em Mangualde, distrito de Viseu. "Aqui um camarada foi despedido porque questionava demais", comentava-se na organização, enquanto avisava os jornalistas que iria ser "difícil" que algum dos trabalhadores se disponibilizasse a falar. "Há muita precariedade e muito medo", dizia-se. O PCP quis, com esta ação de campanha alerta para a precariedade e para o banco de horas em uso na fábrica, que causa "total desregulação" dos horários de trabalho.

Boa parte dos operários, de facto, passou velozmente, cabeça baixa, alguns pegando discretamente nos panfletos que Edgar Silva lhe passava. Mas, a certa altura, o inesperado aconteceu, surpreendendo até o candidato comunista. Um trabalhador parou em frente a Edgar Silva e olhos nos olhos, sem qualquer receio das palavras nem das câmaras, declarou: "É o primeiro candidato a vir aqui, sabemos que conhece bem os nossos problemas e que tudo faz para os resolver. Sei que defende os trabalhadores. Há quem venha só para a fotografia. É muito importante ter alguém na Presidência da República que conheça verdadeiramente os nossos problemas. Infelizmente nos últimos anos temos sido muito maltratados pelo atual Presidente da República", começou por salientar.

Edgar Silva sorriu sinceramente e agradeceu. "É muito importante para nós o que está a dizer, valorizamos muito. Posso dar-lhe um abraço?" perguntou. E veio o abraço forte de Jorge Abreu que se apresentou, entretanto, como coordenador da Comissão de Trabalhadores, explicando assim a "liberdade de expressão". Mas não disse o mais inusitado e que se veio a saber a seguir, através de alguns apoiantes locais do PCP, que ali se encontravam. Abreu é presidente da junta de freguesia de Santar, Nelas, eleito nas listas do PSD. Questionado pelos jornalistas, frisou que era "independente, sem filiação" e que "apenas estava a falar enquanto representante dos trabalhadores". Mas aproveitou os holofotes mediáticos para dizer mais, para denunciar como era a vida naquela fábrica, numa oratória muito mais comum entre os comunistas. "Ali dentro daquelas quatro paredes sofre-se muito. É trabalhar, trabalhar, trabalhar. Pagar, não!", sublinhou. "Estamos a trabalhar mais uma hora por dia, sábados, domingos e não recebemos nem mais um tostão. É insustentável. Está-se a por em risco a vida das pessoas. O nosso trabalho tem tanta qualidade e intensidade como os nossos colegas em França ou em Espanha e ganhamos um terço dos franceses e metade dos espanhóis. Temos agora 750 trabalhadores que fazem o trabalho que antes era feito por 1350 e ainda querem aumentar mais a produção. Se isto não é explorar a mão de obra o que será?", interrogou-se. E deixou um aviso sério à administração, prometendo, "caso não haja diálogo com os trabalhadores" algumas "medidas drásticas", entre as quais a "greve e a paralisação da fábrica".

Edgar Silva não podia ter tido melhor neste quinto dia de campanha, dedicado à denúncia da precariedade e exploração no trabalho. "Reconhece da minha candidatura os compromissos consequentes na defesa dos direitos dos trabalhadores e considera que o atual Presidente não o faz. Congratulo-me com isso, porque é verdade", afirmou. O candidato comunista lamentou que "nos últimos anos tivesse siso aprovada muita legislação que veio precarizar o trabalho" e deixa o compromisso de "vetar qualquer diploma, venha do governo ou da assembleia da república, que atente contra os direitos dos trabalhadores. Os trabalhadores não são escravos, nem são moldados para ser servis. Têm direito à vida, às suas famílias, a atividades culturais".

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