Edgar Silva em Cascais. "Tias", uma "marquesa" e comerciantes, ninguém falha ao comunista

"Mobilizar, mobilizar, mobilizar" é a palavra de ordem declarada para esta semana na candidatura do PCP. Edgar Silva lamentou a morte de Almeida Santos. Não vai suspender campanha que, de resto, esta tarde não tinha nada na agenda.

"Dá-me licença? Importa-se que lhe entregue este documento? Desculpe o incómodo"... Vai de mansinho Edgar Silva na abordagem às pessoas na rua, mas não falha quase ninguém nos passeios que percorre nos chamados "contactos com a população". Esta manhã na Parede, concelho de Cascais, a caravana comunista encheu ruidosamente uma das artérias principais.

"Que simpatia...Se tiver um coração tão lindo como tem a cara...", dizia, de sorriso aberto Gabriela Gonçalves Pedroso, condessa de Asseca e marquesa de Burnay, tocando-lhe com a mão do lado esquerdo do peito e depois na cara. "Tem um coração maior do que o mundo", subscrevia, a seu lado, Nuno Dias da Silva, um militante, responsável na concelhia de Cascais, que serviu de "mestre de cerimónias" na arruada. O candidato comunista agradeceu o "piropo" da mulher bonita, mas não esqueceu o que o levava ali. "Não se esqueça de ir votar e votar bem, no domingo", lembrou.

Não há loja, café, transeunte, taxista, que escape a Edgar Silva. "Dá licença?", pergunta sempre. As mulheres ficam, de uma forma geral, positivamente impressionadas. "Ah, então e eu, não tenho direito a um beijinho?", questiona Miette, uma típica "tia" que viu a amiga a ser cumprimentada dessa forma. Confessa depois ao DN que não vai votar em Edgar Silva porque é "socialista", mas que gostou "muito de o conhecer ao vivo. É muito charmoso...".

Mais adiante, o candidato atravessa repentinamente a estrada. Vai em direção a uma pequena loja num vão de escada, aparentemente deserta. Encosta-se ao balcão e estica o pescoço para espreitar lá dentro. "Com licença...", pede. Só ele, sabe-se lá como, tinha visto Júlia Veiga, a lojista que estava sentada no canto. Troca cumprimentos, pergunta se vai votar ela diz que "sim, claro". Já conhecia o candidato da "televisão" e nota que "é o primeiro a visitar" aquela zona. "É muito simpático", conclui. Numa loja de têxteis, entra com os panfletos de propaganda na mão. "Olha, olha, é o madeirense não é?", pergunta logo uma das empregadas. Sorriso aberto, responde "sim, sim, porquê, também é?". "Não, é o meu marido", diz a mulher.

A ação termina junto à estação de caminho de ferro da Parede, onde, numa curta intervenção, Edgar Silva volta a lembrar palavra de ordem para esta semana: "Mobilizar, mobilizar, mobilizar".

SOS numa garrafa de vidro da Marinha Mercante

Antes desta arruada, Edgar Silva, teve um encontro com ecologistas .Manuela Cunha, do partido "Os Verdes", o qual não apoia oficialmente o candidato, entregou-lhe uma "simbólica" garrafa de vidro "da Marinha Grande", com "rolha de cortiça do Alentejo", numa homenagem à "produção nacional", que continha uma folha de papel com seis mensagens de SOS. "Não lançamos a garrafa ao mar porque poderia ir parar à praia do Guincho e ser apanhada por um certo candidato que não saberia responder a estes apelos", ironiza Manuela Cunha, "preferimos entregar-lha em mão, porque sabemos que tem consciência plena do que está em causa. Não vamos ensinar a missa ao padre...".

Os seis "pedidos de ajuda", dentro "das competências de um Presidente da República", eram: SOS em defesa da água, dos rios e dos mares; SOS em defesa do litoral; SOS em defesa da conservação da natureza e da biodiversidade; SOS em defesa da produção nacional; SOS pelo clima, pela qualidade de vida e combate às assimetrias territoriais; e SOS pela educação ambienta e pela participação dos cidadãos. "Os ecologistas estão sempre na vanguarda, antes de todos os outros se aperceberem dos problemas eles já alertaram para eles. Um Presidente da República deve estar muito atento ao clamor da terra, de braço dado com os ecologistas", agradeceu o candidato, em plena praia de Carcavelos. O local não foi escolhido ao "acaso", frisou Manuela Cunha. "Queremos alertar para a grande ameaça ambiental, ao equilíbrio desta zona, que significa a anunciada construção de um grande empreendimento, na Quinta dos Inglesinhos, e que vai ser mais uma agressão brutal a esta praia".

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