Ébola: perfumaria do aeroporto de Lisboa já desinfeta maquilhagem

Há lojas que desinfetam tudo o que esteve em contacto com clientes, outras não. Prevenção de contágio do ébola não é feita de forma concertada.

As lojas do aeroporto de Lisboa ainda estão longe do ambiente de luvas e de máscaras a tapar as caras, mas há algumas que já estão a tomar medidas, embora não de forma concertada. Aliás, não faltam críticas à falta de informação que está a ser-lhes dada.

Maria José Bento, diretora técnica da farmácia no piso zero, na zona das partidas, não compreende "porque é que os oito farmacêuticos que aqui estão só souberam da palestra que o diretor-geral da Saúde fez no aeroporto pela televisão". Os "únicos técnicos superiores de saúde no espaço não foram chamados à sessão de esclarecimento sobre o ébola", apontou.

A farmácia está a reagir à necessidade de informação dos funcionários e de alguns passageiros por sua própria iniciativa. "Temos um consultor de saúde que nos alertou para a necessidade de lavarmos muitas vezes as mãos por dia e de garantirmos a desinfeção dos balcões", sublinhou a diretora técnica. "Mais do que usar máscaras e luvas é a desinfeção das mãos. Foi o que o consultor nos transmitiu", disse.

Quem está a levar a higiene muito a sério são as funcionárias da loja de cosméticos Inglot. "Antes já desinfetávamos os produtos de maquilhagem várias vezes ao dia. Agora, por prevenção do ébola, fazemo-lo muitas mais vezes", contou Miriam , gerente da loja. "Os bâtons são todos testados com aplicadores e temos espátulas individuais. Também convidamos os clientes a usar o nosso desinfetante de mãos assim que entram", explicou.

Mas estas indicações vieram da direção-geral da cadeia de cosméticos. O zelo das funcionárias acabou por merecer a admiração das "colegas" da loja de acessórios Accessorize, onde poucas medidas de prevenção foram ainda tomadas. "Ali têm tudo desinfetado mas aqui ainda não houve muita informação a circular. A única coisa que fazemos é não deixar as clientes colocar brincos de enroscar porque entram em contacto direto com a pele", explicou Bárbara, gerente da loja de acessórios.

Graça António, da gestão de recursos das áreas restritas do aeroporto, garantiu ao DN que "os funcionários da Portela têm recebido informação e esclarecimentos sobre o ébola", mas que, para já, "ainda não chegou ao ponto do uso de luvas e máscaras nos aviões".

Em alguns estabelecimentos, como o snack-bar à entrada, nota-se mais a falta de esclarecimento do que o excesso. "Aqui ainda ninguém falou de nada. Por acaso já pensei em usar máscara mas como não tive indicações de nada...", lamentava a empregada de café Rita. "Quando se suspeita de que alguns passageiros que passam por aqui vêm de zonas de risco, o máximo que podemos fazer é evitar o contacto próximo." Na farmácia já há protocolo: "Diante de um caso suspeito, ou seja, de alguém com todos os sintomas, chamamos o supervisor do aeroporto", refere Maria José Bento.

É assim na Portela, numa altura em que a Comissão Europeia se prepara para criar um sistema de prevenção comum nos aeroportos, e nos britânicos Heathrow e Gatwick já se controla a temperatura de passageiros vindos dos países de risco.

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