É só fumaça. CGTP celebra rejeição, direita sai à rua por Passos

Central sindical convoca concentração para apresentar propostas. E militantes do PSD organizam protestos

No dia 10 de novembro, terça-feira, o largo fronteiro à Assembleia da República promete encher-se de manifestantes à direita e à esquerda. A CGTP já anunciou uma concentração para a tarde desse dia em que os deputados estarão a discutir o programa de governo e se antecipa a discussão das moções de rejeição da esquerda a esse programa. E movimentos de gente ligada ao PSD estão a convocar protestos para esse dia.

Será só fumaça. A CGTP quer celebrar a queda de um governo que contestou durante quatro anos. "Para nós não é a mesma coisa ter uma maioria que fez tudo aquilo que fez, que foi surda e sobretudo muda com tudo o que ouviu, a termos uma maioria composta pelo PS, BE, PCP e "Os Verdes", que tem uma outra sensibilidade social em relação às propostas que apresentamos", sublinhou ontem Arménio Carlos aos jornalistas no Parlamento, onde o líder da central sindical se reuniu com o BE.

Este caderno de encargos (sobre rendimentos, Segurança Social e política fiscal) apresentado pela CGTP, num momento em que o PS se senta à mesa das negociações com BE, PCP e PEV, não incomoda os socialistas. Dirigentes contactados pelo DN encolhem os ombros perante uma manifestação que não é novidade. "Qual é o problema?", perguntam. Longe de 1975, de receios de cercos populares à Constituinte.

No espectro político mais à direita, a última semana tem sido profícua na marcação de ações de protesto. Para Lisboa e Porto estão agendadas manifestações sob o lema "Não a uma moção de rejeição", a 10 de novembro. A da capital, frente ao Parlamento, tem oito mil pessoas a confirmar presença no Facebook; a da Invicta, na Avenida dos Aliados, tem cerca de metade.

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