"É importante que hospitais encarem princípio de livre escolha como uma oportunidade"

Em entrevista ao DN, Ricardo Mestre, vogal do Conselho Diretivo da ACSS, garante que hospitais têm vindo aumentar o seu desempenho assistencial

Os dados da ACSS mostram uma grande concentração das escolhas dos doentes para consultas de especialidades nos grandes hospitais de Lisboa e Porto. A lei do livre acesso coloca uma grande pressão sobre essas unidades? Como têm esses hospitais respondido em termos de produção e tempos de espera?

Os hospitais públicos têm vindo a aumentar o seu desempenho assistencial, em resposta ao crescimento da procura que se tem registado no SNS. Esta é uma realidade transversal a todo o país, que assume especial relevo nos grandes hospitais de Lisboa e Porto, que são os mais procurados, mas que também são aqueles que têm uma maior flexibilidade para ajustar a sua resposta a essa procura por parte dos cidadãos. De qualquer das formas, parece-nos importante que todos os hospitais possam encarar este princípio de livre acesso como uma oportunidade para continuarem a aumentar a qualidade e a eficiência das suas respostas, tornando-se cada vez mais atrativos e oferecendo aos cidadãos, em tempo adequado, os cuidados que eles procuram.

Tendo por base esses tempos de espera, continuamos a ter consultas com prazos muito acima do recomendado, com casos extremos de três anos para dermatologia, no Hospital de Aveiro, que se queixa de falta de profissionais. A liberdade de escolha ajudou a melhorar a situação nessas especialidades e como se pode combater esse problema?

Os tempos de resposta para as consultas externas têm vindo a melhorar de forma consistente a nível nacional na maioria das especialidades, como são o caso da oncologia, da otorrinolaringologia, da gastroenterologia, da cirurgia geral, da medicina interna, da reumatologia, entre outras. Há ainda hospitais e especialidades onde os tempos de resposta têm de continuar a melhorar. O aumento de recursos humanos que se tem registado nos hospitais do SNS é um fator importante para essa melhoria, assim como são os vários instrumentos de gestão que estão disponíveis e que permitem aos hospitais ajustar a sua capacidade de resposta, com destaque para os pagamentos acrescidos aos profissionais que façam atividade adicional dentro do SNS, para a criação dos centros de responsabilidade integrados (CRI), para as transferências de consultas entre os hospitais do SNS e para os modelos inovadores de prestação de cuidados que estão associados à TeleSaúde e às respostas na comunidade. O caso da dermatologia é um bom exemplo de como a inovação organizacional e das práticas clínicas contribui para a melhoria do acesso e da resolutividade no SNS. Esta é uma especialidade que tradicionalmente tem dificuldades de resposta atempada e onde os ganhos que a implementação do telerastreio dermatológico são evidentes em vários hospitais, o que justifica o alargamento desta solução que se encontra em curso em todo o país.

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