"Durante sete anos esteve outro corpo na campa da minha filha"

Maria José sofreu com a morte da filha com um tumor em 2000 e teve agora novo desgosto, quando recebeu as ossadas erradas para cremação. Pelo "erro grosseiro" vai processar a junta

Tem o rosto quase coberto pelos óculos de sol que pouco disfarçam o sofrimento de mãe . Atravessa a passo estugado e com os nervos na voz o cemitério da Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira, para mostrar uma placa com um número: 737. Debaixo dessa placa e de sete palmos de terra estarão os restos mortais da sua filha, Mónica Alexandra, que morreu com apenas 20 anos, no ano 2000, vítima de tumor cerebral, numa clínica em Navarra, Espanha, onde foi tratada.

A mãe, Maria José Colimão, funcionária aposentada do Ministério da Justiça, com 66 anos, denuncia o "erro grosseiro" que lhe foi revelado na segunda-feira e pelo qual responsabiliza a junta de freguesia local. "Durante os últimos sete anos esteve outro corpo na campa de mármore da minha filha", afirma. "Vou processar a junta de freguesia", garante.

O alegado erro consistiu numa troca de restos mortais: os da sua filha com os de um corpo não reclamado. No segundo levantamento das ossadas (sete anos depois do primeiro, feito em 2008) no passado dia 10 de julho, a família avançou com a cremação dos restos. Maria José não assistiu para evitar a comoção. Foi passado um certificado de cremação com o nome completo da sua filha e a data de 10 de julho de 2015 e foram gastos mais de 200 euros em emolumentos. "As ossadas que supostamente eram da minha filha foram cremadas e levadas para o jazigo da família. Logo a seguir, fui de férias para o Algarve."

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