Dois terços dos turistas a mais no Algarve vieram fora da época alta

Nos primeiros dez meses do ano, houve mais 1,3 milhões de dormidas na região, 65% fora das épocas tradicionais. Turismo português continua a bater recordes. Proveitos totais já estão acima dos de 2015 inteiro

Proveitos, dormidas, capacidade aérea, qualquer que seja o indicador, Portugal continua a bater recordes no turismo. Mas os números de outubro dão conta de um facto extraordinário: a sazonalidade está a diluir-se, com cada vez mais turistas a visitar o país fora das épocas tradicionais. O que é particularmente notável no Algarve.

A caminho de Faro para lançar o FormAlgarve - "programa de apoio à criação de emprego qualificado, com relações contratuais mais estáveis e que promova a melhoria da competitividade e da produtividade dos setores mais afetados pela sazonalidade na região" -, a secretária de Estado do Turismo tem os números bem presentes. "Estamos a conseguir um grande crescimento fora dos meses habituais e isso refletiu-se em resultados notáveis. Só no mês de outubro, os proveitos cresceram 22% no Algarve. E, no acumulado do ano, houve mais 1,3 milhões de dormidas na região do que em 2015 - o que representa um ritmo de crescimento três vezes superior ao do ano passado - 65% fora da época alta." Para o que têm contribuído as "36 novas operações aéreas neste ano, só para o Algarve", sublinha Ana Mendes Godinho.

Para a governante, estes resultados revelam trabalho feito. Incluindo o investimento na capacidade de diversificação de mercados que permitiu captar mais 81% de franceses, mais 69% de brasileiros, mais 60% de italianos e mais 28% de americanos para o Algarve nos primeiros dez meses deste ano.

Assumindo uma "continuidade clara" das políticas do seu antecessor na pasta, Adolfo Mesquita Nunes, como a manutenção do trabalho de promoção de Portugal nos meios digitais e os convites a jornalistas estrangeiros para virem conhecer o país, a atual secretária de Estado realça o que tem feito diferente. "Estamos a comunicar melhor e isso tem tido efeitos nos prémios", diz, comparando os 151 que o país recebeu no ano passado com os 471 deste ano. Destaca ainda o "grande roadshow" nos Estados Unidos, onde o Turismo de Portugal se juntou à TAP, aproveitando a duplicação de voos para destinos norte-americanos. "Há ainda um grande trabalho de campo, com a presença em feiras e junto de operadores estrangeiros", especifica.

Para solidificar esta tendência, que não é exclusiva do Algarve mas antes se estende a todo o país, o governo quer pôr várias áreas a trabalhar em conjunto para reposicionar aquele e outros destinos turísticos com novas propostas. No âmbito cultural, por exemplo, preparou-se um programa que se prolonga entre outubro e maio e que conta com mil eventos no Algarve. "Tem coisas engraçadíssimas, como o cinema nas igrejas, e tem sido superelogiado."

Sobre os números totais divulgados pelo INE na quinta-feira, Ana Mendes Godinho não tem dúvidas. "São resultados completamente fantásticos. É evidente pelos valores de outubro que vamos ter mais um ano recorde. Em proveitos, já superámos o total do ano passado." Os proveitos totais entre janeiro e outubro deste ano fixaram-se acima dos 2,6 mil milhões de euros, mais 19,8% do que os registados no último ano inteiro.

Números que a secretária de Estado justifica com três fatores: "O aumento da capacidade aérea, tendo-se conseguido captar novas rotas e ganhar 750 mil novos lugares; a grande diversificação de mercados de origem dos turistas que nos visitam; e a clara diversificação de produtos para diferentes segmentos ao longo do ano." E exemplifica com o caso dos americanos, que viajam todo o ano, e dos holandeses, que procuram produtos diferentes, muito relacionados com a natureza e o património.

A governante admite que Portugal ainda está a beneficiar dos efeitos da instabilidade no Norte de África e da insegurança até de alguns outros destinos europeus, mas sublinha que o país tem sabido aproveitar essa vantagem melhor do que destinos concorrentes. "Somos o país do Mediterrâneo que mais cresce."

Agora, o objetivo é solidificar o trabalho feito, garantindo que a atividade turística se prolonga por todo o ano e que há voos que sirvam essa ambição. E nessa equação deverão contar instrumentos financeiros como a linha de apoio ao investimento para qualificação da oferta turística, de 60 milhões de euros, que foi lançada no início do primeiro trimestre e que está executada a 50%. Números que poderão ganhar relevo nos próximos tempos, acredita a governante, uma vez que Portugal já é internacionalmente apontado como destino para investir em turismo nos próximos anos.

Também a valorização de recursos humanos é uma prioridade para a secretária de Estado - e a sua presença ontem à noite em Faro para lançar o FormAlgarve é disso exemplo. "O que queremos é que as estruturas possam aproveitar a época baixa para valorizar os seus quadros, dando condições às escolas e pondo-as a trabalhar em conjunto com o IEFP."

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